Irã afirma que morte de líder não desestabiliza regime e critica EUA e Israel
Irã diz que morte de líder não afeta regime e critica EUA e Israel

Irã afirma que morte de líder não desestabiliza regime e critica ações de EUA e Israel

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, fez declarações contundentes nesta quarta-feira (18), afirmando que a morte de Ali Larijani, líder efetivo do regime desde o início da guerra, não desestabilizará o sistema político de Teerã. Em entrevista ao jornal Al Jazeera, conglomerado catari que cobre o Oriente Médio, Araqchi destacou que Estados Unidos e Israel não conseguirão atingir esse objetivo com seus bombardeios contínuos.

Estrutura política forte e resiliência institucional

Araqchi enfatizou: "Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam este ponto: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura". Esta declaração ocorreu após a confirmação, pelo regime iraniano, da morte de Larijani em um bombardeio israelense na noite de segunda-feira, divulgada apenas no final da tarde de terça-feira, no horário de Brasília.

O ministro lembrou que situações similares ocorreram no passado, como na morte do líder supremo Ali Khamenei, e que o sistema seguirá resiliente. "Se o ministro das Relações Exteriores viesse a ser morto, inevitavelmente haveria outra pessoa para ocupar o cargo", acrescentou Araqchi, em referência a ele mesmo, destacando a decisão pré-conflito de Khamenei de nomear múltiplas camadas de sucessão para cargos-chave.

Posição sobre programa nuclear e críticas a Trump

Na mesma entrevista, o chanceler iraniano afirmou que a doutrina nuclear do país não deve mudar de forma significativa, reiterando que Teerã sempre negou ter intenção de desenvolver armas atômicas e mantém que seu programa nuclear tem fins pacíficos. Esta declaração surge em resposta às recentes afirmações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que na terça-feira voltou a dizer que "não podemos permitir que lunáticos tenham armas nucleares", em clara referência ao Irã.

Consequências globais da guerra e visão sobre invasão terrestre

Araqchi também alertou que os efeitos globais da guerra, que entrou em seu 19º dia nesta quarta-feira, estão apenas começando a se manifestar. Ele reforçou a posição iraniana de que os EUA só conseguiriam derrubar o regime com uma invasão terrestre, sublinhando a determinação do país em resistir a pressões externas. Esta postura reflete a tensão crescente na região, com bombardeios e declarações que intensificam o conflito internacional.

Em resumo, as palavras de Araqchi pintam um quadro de um Irã confiante em sua estabilidade interna, desafiando as ações militares e retóricas de adversários como EUA e Israel, enquanto o mundo observa as ramificações deste prolongado confronto.