Irã afirma controle total sobre Estreito de Hormuz após ameaça de Trump
Irã diz controlar Estreito de Hormuz após ameaça de Trump

Irã reafirma domínio sobre Estreito de Hormuz em resposta a ameaça de Trump

Horas depois de o presidente americano Donald Trump declarar que poderia enviar a Marinha dos Estados Unidos para escoltar petroleiros pelo estratégico Estreito de Hormuz, a Guarda Revolucionária do Irã respondeu com firmeza, afirmando que o país controla completamente o ponto de passagem por onde circula aproximadamente 20% do petróleo e gás natural do mundo.

Declaração oficial e incidentes recentes

"Atualmente, o estreito de Hormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica", declarou nesta quarta-feira (4) Mohamad Akbarzadeh, das forças navais da Guarda Revolucionária, segundo a agência de notícias Fars. A afirmação ocorreu em um momento de crescente tensão, quando dois mísseis atingiram um cargueiro com bandeira de Malta próximo ao Omã, obrigando o resgate da tripulação.

Em resposta direta às declarações iranianas, o chefe do Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, Brad Cooper, questionou a presença naval do Irã na região. "Hoje, não há um único navio iraniano navegando no golfo Pérsico, no estreito de Hormuz ou no golfo de Omã", afirmou Cooper em vídeo publicado na plataforma X.

Ações militares e escalada do conflito

Dando concretude às palavras americanas, o secretário de Defesa Pete Hegseth anunciou que um submarino dos Estados Unidos afundou um navio de guerra iraniano a mais de 3.500 quilômetros do Estreito de Hormuz, próximo à costa do Sri Lanka. Segundo informações do governo local, pelo menos 87 pessoas morreram no naufrágio da fragata Dena, enquanto outras 60 estão desaparecidas e 32 foram resgatadas com vida.

Este incidente representa o evento relacionado ao conflito mais distante geograficamente do teatro principal de operações, que começou no sábado (28) com ações coordenadas de Estados Unidos e Israel contra a teocracia iraniana. Com sua provocação desta manhã, o Irã demonstra confiança em testar a disposição americana de se expor no estreito, que possui apenas 33 quilômetros de largura no ponto mais próximo entre o país e Omã.

Capacidade militar e estratégia iraniana

Nos últimos anos, o Irã fortaleceu significativamente sua presença militar na região, estabelecendo 16 bases navais e aéreas, além de posicionar navios, minas marítimas e drones. No entanto, evidências sugerem que a situação pode ser mais complexa do que aparenta.

Imagens recentes mostram que vários navios iranianos foram atingidos durante a campanha iniciada pelos Estados Unidos e Israel, incluindo a nau capitânia Shahid Bagheri - um navio de transporte adaptado para lançar drones e transportar helicópteros que entrou em operação apenas no ano passado.

É bastante provável que os Estados Unidos tenham afundado mais de 20 embarcações iranianas, mas isso não elimina completamente a capacidade de interdição do Irã na região. O país mantém bases fixas de lançamento de mísseis antinavio com alcance de 300 quilômetros, além de demonstrar eficácia em esconder lançadores móveis. O risco representado por minas marítimas e drones continua presente e significativo.

Impacto econômico e reações regionais

Os países da região e as empresas de transporte marítimo estão adotando uma postura cautelosa. O Qatar, maior produtor mundial de gás natural liquefeito, paralisou sua indústria, enquanto o Iraque deve fazer o mesmo com sua produção de petróleo.

No site de monitoramento marítimo Marine Traffic, não há registro de trânsito comercial na faixa central do estreito, que possui 3 quilômetros de largura em cada direção. Segundo a consultoria especializada Kpler, o tráfego de petroleiros na região caiu aproximadamente 90%, com centenas de navios ancorados nos golfos Pérsico e de Omã, que são conectados pelo canal estratégico.

Estratégia de dúvida e custos do conflito

A estratégia iraniana parece basear-se em criar incertezas que forcem os americanos a expor seus navios de guerra na região. Durante os quase dois anos de campanha no mar Vermelho contra os rebeldes houthis pró-Irã no Iêmen - que tinha como objetivo justamente garantir escolta a navios mercantes - os Estados Unidos e seus aliados não conseguiram suprimir completamente as capacidades rivais.

Essa operação teve custo elevado, com aproximadamente US$ 1 bilhão em munição contra drones e mísseis gastos apenas no primeiro ano do conflito, segundo o único balanço disponível. Embora nenhum navio de guerra tenha sido afundado, petroleiros comerciais foram perdidos e até mesmo um caça F/A-18 foi abatido por fogo amigo.

Pressão econômica e política

Teerã compreende que cada dia de impasse no Estreito de Hormuz trabalha a seu favor, elevando os preços do barril de petróleo e ameaçando desencadear repercussões inflacionárias globais que pressionariam politicamente Donald Trump. Na terça-feira (3), o presidente americano minimizou a situação, afirmando que a agitação no mercado é temporária e natural.

A abundância de petróleo no mercado mundial atua em favor dessa perspectiva. Nesta manhã de quarta-feira, o preço referencial do barril atingiu US$ 84, o maior valor desde julho de 2024, mas ainda distante dos US$ 130 registrados em conflitos anteriores.

Capacidades militares comparadas

Antes do início das hostilidades, segundo o Balanço Militar 2026 do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, o Irã possuía uma Marinha com 70 embarcações costeiras (incluindo 9 corvetas) e 18 submarinos diesel-elétricos, entre outros ativos. Paralelamente, a Guarda Revolucionária operava 133 navios de costa de pequeno porte.

O atual confronto representa um teste para ver qual lado cederá primeiro, mas os americanos reconhecem que podem não ter neutralizado completamente as capacidades iranianas no estreito. Resta aguardar se Trump será obrigado a revelar completamente suas cartas neste delicado jogo estratégico que afeta a segurança energética global.