Irã revela arsenal secreto de drones em túneis e intensifica ataques no Golfo
O governo do Irã divulgou nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, um vídeo através da agência de notícias semioficial Fars, mostrando um impressionante arsenal de drones armazenados em túneis subterrâneos, preparados para serem lançados no contexto do conflito com os Estados Unidos e Israel. As imagens exibem mísseis montados em lançadores de foguetes, com paredes adornadas por bandeiras iranianas e retratos do líder supremo falecido, o aiatolá Ali Khamenei.
Estratégia de sobrecarga e ataques recentes
Desde o ataque israelo-americano ocorrido no sábado, 28 de fevereiro, o Irã tem lançado centenas de ataques com drones contra Israel e países árabes do Golfo. Essas ofensivas já danificaram bases americanas, aeroportos e infraestruturas essenciais ligadas ao setor petrolífero, representando um sério desafio para o sistema de defesa aérea do Oriente Médio.
De acordo com declarações oficiais do governo iraniano, as forças do país dispararam:
- 541 drones contra os Emirados Árabes Unidos
- 283 drones contra o Kuwait
- 9 drones e 136 mísseis Shahed contra o Bahrein
- 12 drones contra o Catar
- Dezenas de drones contra a Jordânia
Além disso, centenas de mísseis foram lançados contra esses países. Os ataques resultaram em pelo menos três mortes nos Emirados Árabes Unidos e uma em Omã, enquanto Israel afirmou ter interceptado mais de 50 drones iranianos.
Impacto econômico e estratégia iraniana
Os ataques desencadearam caos na aviação global e ameaçam fazer disparar os preços do petróleo, evidenciando a estratégia iraniana de atingir o ponto fraco da economia mundial. Analistas apontam que Teerã busca internacionalizar o conflito, pressionando os aliados dos Estados Unidos no Golfo e infligindo prejuízos econômicos ao Ocidente.
Embora os drones explosivos iranianos sejam pequenos, relativamente difíceis de interceptar e fáceis de produzir em larga escala, eles têm causado danos significativos. Entre os alvos atingidos com sucesso estão:
- Uma base naval americana no Bahrein
- Aeroportos em Abu Dhabi e no Kuwait
- Arranha-céus em Dubai e no Bahrein
- Portos marítimos na região
Esses ataques minam a aparência de segurança que o Golfo se esforçou para manter durante anos.
Capacidade de produção e expansão do arsenal
O Irã possui um arsenal de milhares de veículos aéreos não tripulados e capacidade de produzi-los em massa. Em janeiro, o comandante do exército iraniano anunciou que as forças armadas receberam um novo lote de 1.000 drones. A capacidade total de produção do país não é totalmente clara, mas uma fábrica construída na Rússia com ajuda iraniana produz aproximadamente 18.540 drones por ano, segundo o Instituto para Ciência e Segurança Internacional.
Além do modelo Shahed-136, o Irã mantém estoques de versões mais antigas e rudimentares do Shahed, às quais pode recorrer conforme necessário. A produção de drones é considerada mais simples do que a de mísseis, facilitando a regeneração em caso de danos às fábricas.
Reação internacional e declarações conjuntas
Em resposta aos ataques, os países árabes do Golfo emitiram um comunicado conjunto nesta segunda-feira, classificando as ações iranianas como "inaceitáveis" e prometendo uma resposta adequada. A emissora Al Jazeera divulgou declarações de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, que afirmou que os ataques iranianos em curso "não podem ficar sem retaliação".
Em uma declaração conjunta, Arábia Saudita, Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos reafirmaram "o direito à autodefesa" contra esses ataques, com o objetivo de proteger seus cidadãos e infraestruturas vitais.
A situação continua a evoluir rapidamente, com a tensão geopolítica atingindo níveis preocupantes e impactos significativos na estabilidade regional e na economia global.
