Irã desafia ultimato de Trump e anuncia nova ordem para o Estreito de Ormuz
Em meio a um ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) desafiou publicamente as ameaças estadunidenses. Em comunicado divulgado nas redes sociais no domingo, 5 de abril de 2026, a IRGC afirmou que o Estreito de Ormuz "jamais voltará a ser como era, especialmente para os EUA e Israel". A declaração surge como resposta direta às exigências de Trump para a reabertura do estreito, que está fechado desde o início dos conflitos na região.
Preparações para uma nova ordem no Golfo Pérsico
A IRGC anunciou que está concluindo os preparativos operacionais para estabelecer uma nova ordem no Golfo Pérsico, com regras atualizadas para a passagem pelo Estreito de Ormuz. As autoridades iranianas defendem que essas regras serão definidas em parceria com Omã, sem interferência de potências estrangeiras. O estreito, por onde transitam aproximadamente 20% do petróleo e gás mundial, permanece fechado, permitindo apenas a passagem de navios autorizados por Teerã.
Ultimato de Trump e ameaças de retaliação
No domingo, Trump ameaçou lançar "o inferno" sobre o Irã caso o estreito não seja reaberto até terça-feira, 7 de abril. O presidente estadunidense tem feito declarações agressivas, incluindo ameaças de destruir o Irã "enquanto nação" e levar o país de volta à "Idade das Pedras" se não aceitarem as condições impostas por Washington para o fim da guerra. Essas condições incluem o fim do programa nuclear pacífico do Irã e o desmantelamento de seu programa balístico, conforme um documento de 15 pontos circulado como proposta de Trump.
Rejeição iraniana às propostas dos EUA
Em coletiva de imprensa na segunda-feira, 7 de abril, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, rejeitou as propostas estadunidenses, classificando-as como "altamente excessivas, incomuns e ilógicas". O Irã exige compensação financeira pelos danos causados pelos ataques, a retirada definitiva das bases militares dos EUA da região e um fim permanente da guerra, incluindo as frentes de combate no Líbano e na Faixa de Gaza.
Declarações militares e ataques recentes
O porta-voz do Exército iraniano, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, afirmou em comunicado que é necessário levar o inimigo a um "arrependimento genuíno" para evitar futuros conflitos. Ele declarou que os EUA falharam em alcançar seus objetivos nesta fase da guerra e foram derrotados. Além disso, o porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya, Ibrahim Zulfiqari, anunciou a 98ª onda de ataques do Irã contra instalações ligadas a Israel e EUA no Oriente Médio, incluindo um navio porta-contêineres e locais estratégicos em Tel Aviv, Haifa, Be’er Sheva e Bat Hafer.
Assassinato de alto dirigente militar
O Irã confirmou o assassinato do chefe da inteligência da IRGC, brigadeiro-general Seyed Majid Khademi, em um ataque aéreo israelense em Teerã. Este incidente aumenta as tensões na região, com o Irã alertando que quaisquer ataques a alvos civis serão respondidos com medidas severas contra os interesses do inimigo. Zulfiqari advertiu que, se os ataques persistirem, as operações ofensivas iranianas serão intensificadas, causando perdas multiplicadas para o adversário.



