Irã confirma morte do líder supremo e chefes militares em ataque conjunto de EUA e Israel
A mídia estatal iraniana confirmou neste domingo (1º) a morte do líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, e de importantes comandantes militares em bombardeios atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. As informações foram divulgadas pela televisão estatal e agências oficiais do Irã, que relataram um ataque massivo ocorrido no sábado.
Alta cúpula militar eliminada em reunião do Conselho de Defesa
De acordo com as autoridades persas, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, major-general Abdolrahim Mousavi, e o ministro da Defesa, Aziz Nasirzadeh, foram mortos durante um ataque aéreo enquanto participavam de uma reunião do Conselho de Defesa. O comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e Ali Shamkhani, ligado ao mesmo conselho, também faleceram nos bombardeios.
Abdolrahim Mousavi havia assumido o cargo máximo da estrutura militar iraniana em 13 de junho, substituindo Mohammad Bagheri, morto em ataque israelense no ano passado. Sua morte só foi confirmada oficialmente neste domingo, embora ele já fosse apontado como vítima desde os primeiros momentos após o ataque.
Aziz Nasirzadeh ingressou na Força Aérea iraniana aos 19 anos e participou da Guerra Irã-Iraque entre 1980 e 1988. Com extensa carreira em posições de comando, foi indicado para o Ministério da Defesa após a eleição de Masoud Pezeshkian em 2024.
Mohammad Pakpour foi nomeado comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica em junho do ano passado, substituindo Hossein Salami, também morto em ataque israelense. Pakpour ascendeu na hierarquia militar comandando forças terrestres e a unidade especial Saberin.
Ali Shamkhani ingressou na Guarda Revolucionária em 1979, logo após a Revolução Islâmica, atuando como vice-comandante entre 1981 e 1988. Transitou por diferentes correntes políticas do regime e ocupou cargos importantes, incluindo o de ministro da Defesa no governo reformista de Mohammad Khatami.
Confirmação emocionada da morte de Khamenei
Horas antes do anúncio das mortes militares, o governo iraniano e sua mídia estatal confirmaram a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país por quase quatro décadas. A agência estatal Fars anunciou em seu perfil no Telegram que "o líder supremo da Revolução foi martirizado".
O apresentador da TV estatal iraniana fez o anúncio visivelmente emocionado, enquanto o gabinete do governo declarou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado geral. Em nota oficial, o governo classificou o episódio como "crime" que "marcará uma nova página na história do mundo islâmico e do xiismo".
Segundo a agência estatal, Khamenei foi morto em seu local de trabalho na manhã de sábado, contradizendo alegações anteriores de que vivia em local seguro por medo de assassinato.
Reações internacionais e declarações de líderes
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado mais cedo que Khamenei foi morto durante os bombardeios. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que "Khamenei, uma das pessoas mais malignas da História, está morto" e que isso representa "justiça para o povo do Irã e para todos os grandes americanos".
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou haver indícios da morte de Khamenei e declarou que forças israelenses destruíram um complexo usado pelo líder supremo. Netanyahu fez apelo direto à população iraniana para que se levante contra o regime, afirmando que "esta é uma oportunidade que surge uma vez por geração".
Detalhes do ataque e retaliação iraniana
Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado, deixando 201 mortos e 747 feridos segundo informações da rede humanitária Crescente Vermelho citadas pela imprensa iraniana. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades como Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah.
Em resposta imediata, o Irã disparou mísseis contra Israel e atacou bases americanas no Oriente Médio. Diversas explosões foram ouvidas em países da região como Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes Unidos, onde uma pessoa morreu na capital Abu Dhabi após interceptação de mísseis iranianos.
O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de petróleo do mundo, foi fechado por motivos de segurança conforme informou a agência estatal iraniana Tasnim. O governo americano afirmou que os danos às suas bases militares no Oriente Médio foram "mínimos" e que nenhum militar americano ficou ferido.
Netanyahu declarou que a ofensiva matou comandantes da Guarda Revolucionária e altos funcionários ligados ao programa nuclear iraniano, prometendo que "milhares de alvos" serão atacados nos próximos dias.
