Irã expande fronteiras do conflito com bombardeios ao Azerbaijão e Bahrein em sexto dia de guerra
O conflito no Oriente Médio entrou em uma nova e perigosa fase nesta quinta-feira (5), quando o Irã ampliou sua estratégia de espalhar o caos na região ao atacar pela primeira vez o Azerbaijão, um importante exportador de petróleo e gás. Simultaneamente, mísseis iranianos atingiram uma refinaria no Bahrein, enquanto os Emirados Árabes Unidos interceptaram seis projéteis, com um deles causando feridos em Abu Dhabi.
Reação furiosa do Azerbaijão e alerta energético global
O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, não poupou palavras ao classificar os ataques com drones contra seu país como "feios", "covardes" e "vergonhosos". Um drone atingiu o aeroporto internacional de Naquichevão, a apenas 10 quilômetros da fronteira com o Irã, enquanto outro explodiu próximo a uma escola. Aliyev imediatamente ordenou que as Forças Armadas azeris permanecessem no mais alto nível de prontidão para combate.
Esta escalada preocupa especialistas em energia mundial, já que o Azerbaijão é um dos principais exportadores de petróleo e gás natural. Um envolvimento direto do país na guerra poderia elevar ainda mais os preços de energia em todo o planeta, agravando a crise econômica global. O governo iraniano, contudo, negou formalmente a autoria desse ataque específico.
Bahrein, Emirados e outros países na linha de fogo
No mesmo dia, o Bahrein foi alvo de mísseis iranianos que atingiram a área da refinaria de Sitra. As autoridades do reino informaram que os incêndios foram rapidamente contidos e que a refinaria continua operando normalmente. Nos Emirados Árabes Unidos, a situação foi mais grave: seis mísseis foram interceptados, mas um caiu dentro do território nacional, ferindo seis pessoas com destroços de um drone abatido na cidade de Abu Dhabi.
Explosões também foram relatadas no Catar e no Kuwait, enquanto o Irã declarou ter atacado um navio americano no Golfo Pérsico, alegando que a embarcação ficou em chamas. Os Estados Unidos não confirmaram esse incidente específico. A insegurança generalizada levou a Organização Mundial da Saúde a suspender as operações em seu centro global de logística de emergência em Dubai.
Contra-ataques de Israel e Estados Unidos intensificam destruição
Enquanto expandia seus ataques para novos países, o Irã manteve a pressão sobre Israel, com sirenes soando novamente em Jerusalém e Tel Aviv. A reabertura do espaço aéreo israelense foi acompanhada de alertas, inclusive durante a aproximação de um avião comercial para pouso.
Israel e Estados Unidos responderam com uma nova e devastadora rodada de ataques contra o Irã. Várias explosões sacudiram Teerã, incluindo uma que atingiu o estádio Azadi, o principal do país. O Pentágono divulgou imagens de bombardeios a hangares, aviões e lançadores de mísseis da Guarda Revolucionária iraniana. Israel, por sua vez, mostrou imagens de um caça F-35 abatendo um jato iraniano sobre a capital.
Hezbollah no Líbano e crise humanitária em expansão
Os combates se estenderam também ao Líbano, onde Israel continuou os bombardeios contra o Hezbollah, inclusive na capital Beirute. Imagens das Forças de Defesa israelenses mostram supostos ataques aéreos contra centros de comando do grupo extremista, que é financiado pelo regime iraniano. Em seu primeiro pronunciamento televisivo desde o início dos ataques, o chefe do Hezbollah, Naim Qassem, foi enfático: "o grupo não vai se render".
Segundo o governo libanês, os ataques israelenses já mataram mais de 100 pessoas no país. Uma ordem de retirada emitida por Israel pode forçar até 700 mil pessoas a fugirem de suas casas em todos os subúrbios ao sul de Beirute, área considerada pelas forças israelenses como um reduto do Hezbollah.
A crise humanitária se agrava a cada hora. Em Genebra, a agência da ONU para refugiados alertou para os deslocamentos significativos provocados pela guerra e cobrou passagem segura para civis que precisam fugir da violência, inclusive cruzando fronteiras em busca de proteção. Com mais de 1,2 mil mortos em seis dias de conflito, a região enfrenta uma das maiores escaladas bélicas das últimas décadas.
