Irã ameaça 'medidas necessárias' se EUA mantiverem bloqueio no Estreito de Ormuz
Irã ameaça medidas se EUA mantiverem bloqueio em Ormuz

Irã ameaça 'medidas necessárias' se EUA mantiverem bloqueio no Estreito de Ormuz

O governo iraniano emitiu um alerta contundente nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, afirmando que tomará "medidas necessárias" caso os Estados Unidos mantenham o bloqueio naval sobre o Estreito de Ormuz. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, em entrevista à mídia estatal, após Teerã reabrir a rota comercial vital que havia sido fechada durante o conflito.

Reabertura condicional e negativa americana

De acordo com as autoridades iranianas, a reabertura do estreito ocorreu após o cumprimento das condições estabelecidas no acordo de 8 de abril entre Estados Unidos e Irã, especificamente em relação ao cessar-fogo entre Israel e o grupo militante Hezbollah no Líbano. "Se o outro lado optar por quebrar seus compromissos, o que parece pretender fazer, e se o bloqueio naval continuar, a República Islâmica do Irã tomará as medidas necessárias, e não há dúvida disso", declarou Baghaei.

No entanto, o presidente americano Donald Trump negou qualquer pacto relacionado ao cessar-fogo e garantiu a continuidade do bloqueio. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou: "O bloqueio naval permanecerá em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã, somente, até que nossas negociações com o Irã estejam 100% concluídas. Esse processo deverá ser bastante rápido, visto que a maioria dos pontos já foi negociada".

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Detalhes da reabertura e incertezas

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada. Em postagem no X (antigo Twitter), Araghchi escreveu: "Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada durante o restante do período de cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã".

Apesar do anúncio, permanecem incertezas significativas:

  • Não está claro até quando o estreito permanecerá aberto, com Araghchi mencionando apenas o "período restante do cessar-fogo" sem especificar se se refere ao acordo no Líbano (que expira em dez dias) ou ao entre EUA e Irã (válido até 21 de abril).
  • Os navios devem seguir uma "rota coordenada" próxima à costa iraniana, que foi utilizada por poucas embarcações durante a guerra devido aos riscos de ataques.
  • Analistas de navegação alertam que a segurança da área ainda não está clara, com a associação Bimco recomendando que empresas evitem a região.

Impacto no mercado e reações internacionais

Após o anúncio da reabertura, o preço do petróleo sofreu uma queda acentuada, com o barril Brent caindo para menos de US$ 90, representando uma redução de 10% em relação ao valor anterior. Empresas de navegação ao redor do mundo reagiram com otimismo cauteloso, mas permanecem preocupações sobre a viabilidade e segurança da rota.

Jakob Larsen, diretor de segurança e proteção da Bimco, destacou ao jornal britânico The Guardian: "O status das ameaças não está claro, e a Bimco acredita que empresas de navegação deveriam evitar a área". A situação cria um cenário de tensão contínua no Oriente Médio, com implicações globais para o comércio marítimo e a estabilidade dos preços energéticos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar