Ex-vice-presidente norte-americana faz duras críticas à política externa de Trump
A ex-vice-presidente dos Estados Unidos e candidata nas últimas eleições presidenciais, Kamala Harris, emitiu um comunicado contundente no sábado à noite, acusando o presidente Donald Trump de forçar o país a entrar em uma guerra desnecessária contra o Irã. As declarações ocorrem em meio a uma operação militar conjunta entre Estados Unidos e Israel que já dura 24 horas e resultou na morte de várias figuras políticas e militares iranianas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei.
Críticas diretas à imprudência presidencial
"Donald Trump está arrastando os Estados Unidos para uma guerra que o povo norte-americano não quer", afirmou Harris em seu comunicado. "Me deixem ser clara: sou contra uma guerra de mudança de regime no Irã, e as nossas tropas estão sendo postas em perigo em nome da guerra escolhida por Trump", continuou a ex-vice-presidente, que foi categórica em sua oposição às ações militares.
Harris classificou a estratégia de Trump como "uma aposta perigosa e desnecessária com vidas americanas" que coloca em risco tanto a estabilidade regional quanto a posição global dos Estados Unidos. "O que estamos testemunhando não é força. É imprudência disfarçada de determinação", disparou a política, reconhecendo a ameaça iraniana, mas rejeitando o método empregado.
Contradições e promessas não cumpridas
A ex-candidata presidencial lembrou que, durante a campanha eleitoral de 2024, Donald Trump havia prometido "acabar com as guerras em vez de as iniciar", acusando-o agora de mentir aos eleitores. Harris também destacou as declarações do presidente no ano passado, quando afirmou ter "aniquilado" o programa nuclear iraniano, considerando essas afirmações igualmente falsas.
"Sei da ameaça que o Irã representa, e nunca devem ter permissão para possuir uma arma nuclear, mas esta não é a forma de desmantelar essa ameaça", argumentou Harris, defendendo uma abordagem diferente para lidar com o programa nuclear iraniano.
Preocupação com as tropas e exigências constitucionais
Demonstrando preocupação com os militares norte-americanos, Harris afirmou estar "rezando por todos" os soldados que "estão realizando missões perigosas com uma habilidade, disciplina e precisão excepcionais". A ex-vice-presidente destacou que Trump já admitiu que o conflito pode provocar baixas norte-americanas, embora não tenha divulgado números específicos de mortos.
Harris também lembrou os requisitos constitucionais: "De acordo com a Constituição dos Estados Unidos, o presidente deve receber autorização do Congresso para entrar em guerra". Mesmo que tal autorização existisse, a política argumenta que "isso não altera o fato de que esta ação é imprudente, injustificada e não apoiada pelo povo americano".
Contexto da operação militar e sucessão iraniana
As críticas de Harris ocorrem no contexto de uma vasta operação militar iniciada há 24 horas por Israel e Estados Unidos contra o Irã. O presidente norte-americano indicou que a operação visa o derrube do regime iraniano e incitou a população local a tomar o poder após a intervenção militar.
Com a morte do líder supremo Ali Khamenei, surgem especulações sobre sua sucessão. Entre os possíveis candidatos ao cargo político mais importante do Irã estão:
- Alireza Arafi
- Mohammad Mehdi Mirbageri
- Hassan Khomeini
- Moytaba Khamenei
Harris finalizou seu comunicado com um apelo ao Congresso: "Não pode haver ambiguidade na nossa oposição à guerra escolhida por Donald Trump, e o Congresso deve usar todo o poder disponível para o impedir de nos comprometer ainda mais com este conflito. As nossas tropas, os nossos aliados e o povo americano não merecem menos".
