Conflito entre EUA e Irã se intensifica em águas estratégicas do Oriente Médio
A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã se espalhou pelos mares do Oriente Médio, com uma série de incidentes que elevam as tensões na região. A teocracia iraniana afirma ter atacado um porta-aviões americano e atingido ao menos dois petroleiros no estratégico estreito de Hormuz, enquanto os americanos anunciaram ter afundado um navio de guerra rival.
Ataque ao porta-aviões USS Abraham Lincoln
A ação mais dramática, mas que ainda carece de detalhamento e confirmação oficial pelos Estados Unidos, foi o ataque anunciado contra o porta-aviões USS Abraham Lincoln. O navio, que participa da guerra operando no mar Arábico, perto de Omã, teria sido alvo de quatro mísseis lançados pelo Irã. O USS Abraham Lincoln é um dos 11 porta-aviões de propulsão nuclear da frota americana, e até o momento, não há relatos confirmados sobre o resultado do ataque. As forças dos EUA ainda não comentaram a afirmação iraniana.
Durante os combates com rebeldes pró-Irã no Iêmen, porta-aviões americanos já foram defendidos por suas escoltas e caças contra drones e mísseis, mas nunca houve um impacto direto registrado. Além do Lincoln, a guerra é apoiada pelo grupo de porta-aviões do USS Gerald R. Ford, que está posicionado na costa mediterrânea de Israel.
Incidentes no estreito de Hormuz
Pouco antes do anúncio do ataque ao porta-aviões, dois incidentes mostraram que a guerra está ativa no estreito de Hormuz, uma via crucial para o transporte de petróleo. Primeiro, um petroleiro de bandeira de Palau foi atingido por um projétil perto da costa de Omã, deixando quatro feridos e forçando a evacuação da embarcação. Depois, o site de rastreamento marítimo Marine Traffic anunciou que outro petroleiro, o MKD Vyon, também foi atingido na região. Este navio tem bandeira das Ilhas Marshall, país que mantém uma associação especial com os Estados Unidos.
Afundamento de navio iraniano
Não longe dali, no golfo de Omã, o Centcom (Comando Central das Forças Armadas dos EUA) anunciou que havia afundado um navio de guerra iraniano, a corveta Jamaran. Teerã ainda não comentou o incidente, que, se confirmado, será o primeiro afundamento de uma belonave nesta guerra. Este evento marca uma escalada significativa no conflito marítimo.
Impacto no comércio marítimo e preços do petróleo
Comprovando o ambiente de risco elevado, o Marine Traffic apontou que cerca de 150 petroleiros e navios de transporte de gás natural liquefeito baixaram suas âncoras em águas territoriais de países do golfo Pérsico antes de seguir viagem pelo estreito de Hormuz, que tem apenas 40 km de largura no seu ponto mais apertado. Outras 100 embarcações estão na costa de Omã, do lado da saída do estreito para o oceano Índico.
No sábado, a missão marítima da União Europeia na região alertou que navios estavam sendo ameaçados por rádio pela Guarda Revolucionária do Irã, país que possui 16 instalações militares na área. Ainda não houve uma ordem formal de fechamento do estreito, mas tudo indica que as empresas transportadoras estão evitando riscos.
O impacto desta situação depende de sua extensão e duração, mas é inevitável uma alta dos preços futuros do petróleo, com efeitos inflacionários potenciais em todo o mundo. A instabilidade na região pode desencadear consequências econômicas globais, afetando mercados e consumidores.
