Milhares se reúnem em funeral coletivo de crianças mortas em ataque a escola no Irã
Funeral coletivo no Irã por crianças mortas em ataque a escola

Milhares prestam homenagem em funeral coletivo por crianças vítimas de ataque a escola no Irã

Uma multidão de milhares de pessoas se reuniu nesta terça-feira, 3 de março de 2026, na cidade de Minab, localizada na província de Hormozgan, no sul do Irã, para acompanhar o funeral coletivo de dezenas de crianças e professoras mortas em um ataque contra uma escola infantil para meninas. O ataque, ocorrido no último sábado, resultou na morte de pelo menos 175 pessoas, conforme informações divulgadas pelo The New York Times.

Acusações e negações no conflito internacional

Autoridades iranianas afirmam que o ataque fez parte de uma ofensiva aérea conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o território iraniano. No entanto, o Exército israelense negou veementemente essas acusações, criando um cenário de tensão diplomática e militar na região. A multidão reunida ao redor dos pequenos caixões, cobertos com a bandeira do Irã, expressou sua indignação através de gritos contra os EUA e Israel, além de realizar orações e prestar homenagens emocionadas às vítimas.

Uma mulher, que se identificou como mãe de uma das crianças mortas chamada "Atena", ergueu retratos das vítimas em meio à multidão, descrevendo as fotos como "um documento de crimes americanos". Ela acrescentou, com voz emocionada: "Eles morreram no caminho de Deus", refletindo o profundo impacto emocional e espiritual do evento.

Condenações internacionais e contexto do conflito

O ataque à escola infantil foi amplamente condenado por organizações internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, conhecida defensora da educação feminina. O incidente ocorreu em meio a uma ofensiva militar mais ampla, com Teerã lançando centenas de mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo em resposta, causando danos significativos a bases americanas, aeroportos e infraestruturas essenciais ligadas ao setor petrolífero.

O Crescente Vermelho, parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha, divulgou um balanço alarmante na terça-feira, indicando que 787 pessoas morreram no Irã desde o início do conflito, com mais de mil bombardeios lançados contra 153 cidades iranianas. Em paralelo, Israel registrou pelo menos 10 mortos, enquanto os ataques retaliatórios iranianos resultaram em cinco mortes em países do Golfo. Os Estados Unidos também confirmaram a perda de quatro soldados na operação de sábado.

Acusações formais e pedidos de investigação

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou formalmente os EUA e Israel de serem responsáveis pela morte das alunas no ataque. Em um post na plataforma X, ele escreveu: "Estas são sepulturas sendo cavadas para mais de 160 meninas inocentes que foram mortas no bombardeio EUA-Israel contra uma escola primária. Seus corpos foram dilacerados em pedaços", acompanhando a mensagem com uma imagem impactante dos túmulos. Ele ainda criticou: "É assim que o 'resgate' prometido por Trump se parece na realidade. De Gaza a Minab, inocentes assassinados a sangue frio."

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, reforçou as acusações, afirmando que EUA e Israel "continuam a atacar indiscriminadamente áreas residenciais, não poupando hospitais, escolas, instalações do Crescente Vermelho ou monumentos culturais". Em resposta, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, solicitou uma investigação "rápida, imparcial e minuciosa" sobre as circunstâncias do bombardeio.

Posicionamento dos Estados Unidos e incertezas

Em meio às acusações, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que "os Estados Unidos não teriam como alvo deliberadamente uma escola", negando qualquer intenção de atacar civis. No entanto, o escritório de direitos humanos das Nações Unidas afirmou que ainda não possui informações suficientes para determinar se o bombardeio pode ser considerado um crime de guerra, deixando a situação envolta em incertezas jurídicas e morais.

O funeral em Minab não apenas marcou um momento de luto coletivo, mas também destacou as complexidades e tragédias humanas do conflito em curso no Oriente Médio, com repercussões que continuam a ecoar internacionalmente.