O governo dos Estados Unidos divulgou imagens que confirmam a presença de uma significativa frota militar nas proximidades da costa da Venezuela. Em resposta, autoridades venezuelanas afirmaram, neste sábado (3), que o país foi alvo de um ataque, com várias explosões sendo reportadas em Caracas e em outras cidades.
Movimentação militar e justificativa oficial
Há quatro meses, os Estados Unidos iniciaram o envio de navios de guerra para a região do Caribe, próximo à Venezuela. Em agosto, quando os movimentos começaram, a Casa Branca declarou que o objetivo era intensificar a pressão contra organizações criminosas que traficam drogas da América do Sul para território norte-americano — grupos agora classificados como terroristas pelo governo dos EUA.
No entanto, analistas militares e especialistas em relações internacionais contestam essa narrativa desde o início. Eles argumentam que o arsenal deslocado para a área indica uma preparação para operações ofensivas, e não apenas ações de interdição ao narcotráfico.
Especialista aponta caráter ofensivo da frota
"Se você olhar o tipo de equipamento que foi enviado para a Venezuela, não é um equipamento de prevenção ou de ação contra o tráfico, ou contra cartéis. É claramente um equipamento de ataque e invasão", afirma o cientista político Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College, nos Estados Unidos. "Se o ataque e a invasão vão acontecer, não sabemos", complementa o especialista.
Na época dos primeiros deslocamentos, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, denunciou que sete navios de guerra, um submarino de ataque e 1.200 mísseis estavam apontados para o país. A presença militar incluiu caças F-18 da Marinha dos EUA sobrevoando o Golfo da Venezuela e helicópteros da unidade de elite "Night Stalkers" sendo avistados em outubro.
O poderio naval norte-americano na região
A frota posicionada é composta por algumas das embarcações mais modernas e letais da Marinha dos Estados Unidos. De acordo com agências como Reuters e AP, mais de 4.000 militares já haviam sido deslocados para a região.
Os três destróieres enviados — USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson — pertencem à classe Arleigh Burke. Esses navios são versáteis e equipados com o sistema de combate Aegis, radar AN/SPY-1 e uma bateria de mais de 90 mísseis, incluindo os Tomahawk, de longo alcance.
Além deles, outros navios de grande porte compõem o grupo:
- USS Gerald Ford: O porta-aviões mais avançado do mundo, incorporado em 2017. Com capacidade para até 90 aeronaves, sua pista é três vezes maior que o gramado do Maracanã.
- USS Lake Erie: Um cruzador de mísseis guiados da classe Ticonderoga, especializado em defesa antiaérea e antimíssil.
- USS San Antonio e USS Fort Lauderdale: Navios-doca de desembarque da classe San Antonio, projetados para transportar fuzileiros navais, veículos e equipamentos para operações anfíbias.
- USS Iwo Jima: Navio de assalto anfíbio da classe Wasp, capaz de operar caças F-35B e desembarcar tropas.
- USS Newport News: Submarino de ataque da classe Los Angeles, armado com torpedos Mk 48 e mísseis de cruzeiro Tomahawk, usado para espionagem e ataques de precisão.
Contexto de alta tensão e incerteza
A divulgação das imagens e os relatos de explosões na Venezuela elevam a tensão em uma relação bilateral já historicamente conturbada. Enquanto Washington mantém o discurso do combate ao narcoterrorismo, Caracas e observadores internacionais enxergam uma demonstração de força com objetivos políticos mais amplos.
A situação permanece volátil, com a comunidade internacional acompanhando atentamente os próximos desdobramentos no sul do Caribe, uma região que se tornou palco de uma significativa movimentação militar norte-americana.