Países europeus são arrastados para conflito no Oriente Médio com envio de tropas e equipamentos
Europa é arrastada para conflito no Oriente Médio com envio militar

Países europeus são arrastados para conflito no Oriente Médio com envio de tropas e equipamentos

Relutantes em se envolver diretamente na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, nações europeias estão sendo progressivamente arrastadas para o conflito no Oriente Médio após uma série de ataques ao Chipre, membro da União Europeia, e às monarquias do Golfo, que abrigam bases militares de países como França e Reino Unido.

Embora tenham enfatizado que seus objetivos são "defensivos", cada vez mais países da Europa prometem assistência militar aos aliados, à medida que o conflito na região escala de forma preocupante.

Coordenação entre líderes europeus

Nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, o presidente francês, Emmanuel Macron, telefonou para seus homólogos italiano e grego, Giorgia Meloni e Kyriakos Mitsotakis. Os três líderes concordaram em coordenar o envio de tropas para Chipre e o Mediterrâneo Oriental e em trabalhar juntos para garantir a liberdade de navegação no Mar Vermelho, conforme revelou uma fonte do Palácio do Eliseu ao portal Politico.

Anteriormente, Macron já havia ordenado que o porta-aviões Charles de Gaulle, de propulsão nuclear, fosse deslocado do Mar Báltico para o Mediterrâneo com o objetivo de apoiar o Chipre, que tem sido alvo frequente de drones. Além disso, a França despachou caças Rafale, sistemas de defesa aérea e radares aerotransportados ao Oriente Médio.

Compromissos militares específicos

As principais promessas de assistência militar da Europa até o momento incluem:

  • Reino Unido: Enviará o navio de guerra HMS Dragon, equipado com sistema de mísseis Sea Viper, e mobilizará helicópteros Wildcat com mísseis Martlet. Também permitiu que os militares americanos utilizem duas bases britânicas para "propósitos defensivos específicos e limitados".
  • França: Além do porta-aviões Charles de Gaulle, enviará unidades adicionais de defesa aérea para Chipre e já mobilizou sua fragata Languedoc na costa cipriota.
  • Grécia: Despachou duas fragatas e quatro caças F-16 para Chipre e permitiu que os Estados Unidos utilizem sua base na Baía de Souda, em Creta.
  • Itália: Prometeu enviar "recursos navais" para Chipre nos próximos dias, juntamente com França, Holanda e Espanha, além de sistemas de defesa aérea, antidrones e antimísseis para parceiros no Golfo.
  • Portugal: Autorizou os Estados Unidos a usarem a base de Lajes, nos Açores, como parte das operações contra o Irã, mas apenas sob condições específicas de que sejam "de natureza defensiva ou retaliatória".

Posicionamento defensivo e tensões diplomáticas

França, Reino Unido e Alemanha não estiveram envolvidos nos ataques conjuntos EUA-Israel contra o Irã, que começaram no final da semana passada, mas afirmaram estar preparados para tomar medidas defensivas para destruir a capacidade iraniana de lançar mísseis e drones.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, garantiu que a campanha dos Estados Unidos contra o Irã tem "amplo apoio dos aliados", enquanto o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que não descartaria uma ação militar caso o conflito se alastre.

Entretanto, nem todos os países europeus adotam a mesma postura. A Espanha, por exemplo, deixou clara sua oposição à guerra em um desentendimento verbal com o presidente americano Donald Trump. Madri descartou permitir o uso de bases espanholas pelos Estados Unidos, o que levou Trump a ameaçar romper todos os laços comerciais com a nação europeia. Apesar disso, a Espanha afirmou que enviará sua fragata mais avançada — a Cristóbal Colón — para proteger o Chipre.

O envolvimento europeu no conflito representa uma mudança significativa na postura inicialmente relutante dessas nações, que agora se veem obrigadas a responder a ataques diretos a um membro da UE e a compromissos de defesa com aliados na região do Golfo.