EUA avaliam envio de forças especiais ao Irã para apreender urânio enriquecido
EUA podem enviar forças especiais ao Irã por urânio enriquecido

EUA avaliam envio de forças especiais ao Irã para apreender urânio enriquecido

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando seriamente a possibilidade de enviar forças especiais ao Irã com o objetivo de apreender o estoque de urânio enriquecido do país, conforme revelado por veículos de comunicação americanos. Esta medida potencial representa uma escalada significativa nos esforços para desmantelar o programa nuclear iraniano, que Washington identifica como uma das principais metas do conflito que assola o Oriente Médio há quase duas semanas.

Contexto do enriquecimento nuclear

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão de fiscalização vinculado às Nações Unidas, já havia confirmado anteriormente que o Irã utiliza centrífugas avançadas na planta de Natanz para enriquecer urânio até 60%, acumulando aproximadamente 450 kg do material. Este nível de pureza está tecnicamente próximo dos 90% necessários para a produção de uma bomba nuclear, embora o projeto nuclear iraniano nunca tenha sido oficialmente confirmado como destinado a fins bélicos.

Portais de notícias como o Axios e a agência Bloomberg noticiaram a possibilidade do envio de forças especiais durante o final de semana, enquanto o jornal britânico The Guardian obteve relatórios israelenses e americanos na terça-feira, 10 de março, detalhando os planos da suposta operação. Em audiência no Congresso americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou categoricamente que, em algum momento, "alguém terá que ir buscá-lo (o estoque de urânio enriquecido)", sem fornecer detalhes específicos sobre o plano.

Discussões estratégicas e declarações presidenciais

Autoridades americanas e israelenses estão envolvidas em discussões sobre possíveis operações conjuntas que envolvam forças especiais de ambos os países, conforme relatado pelo Axios. O presidente Trump já havia mencionado anteriormente que militares americanos poderiam ser enviados ao Irã no futuro para apreender o estoque de urânio enriquecido, mas ressaltou que tropas só seriam deslocadas quando as forças iranianas estivessem suficientemente enfraquecidas.

Na segunda-feira, Trump declarou ao jornal New York Post que não está "nem perto" de tomar uma decisão sobre o envio de soldados americanos ao Irã, afirmando: "Nós não tomamos nenhuma decisão sobre isso. Não estamos nem perto disso". Esta declaração contrasta com as avaliações em curso e destaca a complexidade e a incerteza que cercam a situação.

Escalada da guerra no Oriente Médio

A possibilidade de envio de forças especiais surge em meio à intensificação da guerra no Oriente Médio, desencadeada por ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã no dia 28 de fevereiro. Em resposta, Teerã lançou uma ampla campanha retaliatória contra países da região que abrigam bases militares americanas, exacerbando as tensões.

A ofensiva israelo-americana teve início após o fracasso da última rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre um acordo nuclear que controlaria o programa de enriquecimento de urânio da nação persa, vista como a possível última saída diplomática. Na semana passada, a AIEA confirmou que danos foram identificados em instalações ligadas à central de enriquecimento de urânio de Natanz, em meio aos ataques contra o território iraniano.

Infraestrutura nuclear e histórico de conflitos

Localizada a cerca de 200 quilômetros a sudeste de Teerã, a usina de Natanz é uma das principais estruturas do programa nuclear iraniano. A parte subterrânea da instalação, onde fica a maior parte das operações de enriquecimento, é enterrada para protegê-la de ataques aéreos, demonstrando a sofisticação defensiva do Irã.

Em junho de 2025, os Estados Unidos já haviam bombardeado instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Tel Aviv e Teerã. Estimativas anteriores da AIEA indicavam que, antes dos bombardeios realizados em junho, Teerã possuía cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60% no local. De acordo com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, aproximadamente 200 kg do urânio enriquecido que sobreviveram aos ataques aéreos no ano passado estariam armazenados em túneis profundos próximos ao complexo nuclear de Isfahan, enquanto outra quantidade permanece em Natanz, onde o Irã construiu uma nova instalação fortificada e subterrânea conhecida entre analistas ocidentais como "Pickaxe Mountain".

Esta situação contínua destaca os riscos crescentes de uma intervenção militar direta e as implicações globais do programa nuclear iraniano, mantendo o mundo atento aos desenvolvimentos no Oriente Médio.