EUA e Irã avançam em negociações nucleares sob tensão militar crescente
À beira de um possível conflito, Estados Unidos e Irã realizaram novas negociações nesta quinta-feira (26) e concordaram em discutir, na semana que vem, os detalhes técnicos de um possível acordo nuclear. A pressão americana aumenta a cada rodada de negociação, com os Estados Unidos já tendo deslocado destroieres e o porta-aviões Abraham Lincoln para o Oriente Médio. Um segundo porta-aviões, o Gerald Ford, considerado o maior do mundo, está a caminho da região.
Mobilização militar e diálogo diplomático
Foi em meio a essa mobilização militar e às repetidas ameaças de ataque dos Estados Unidos que os dois lados realizaram, na Suíça, a terceira rodada de negociações indiretas. O ministro das Relações Exteriores de Omã atuou como mediador e, sem fornecer detalhes específicos, afirmou que houve progressos significativos nas conversas. As discussões vão continuar na segunda-feira (2), na Áustria, e vão se concentrar nas questões técnicas de um possível acordo.
O enviado especial Steve Witkoff e o genro de Donald Trump, Jared Kushner, exigem garantias concretas de que o Irã não vai produzir uma bomba atômica. Além disso, os representantes americanos também querem restrições ao arsenal iraniano de mísseis balísticos, um ponto que tem sido particularmente sensível nas negociações.
Posições divergentes e proposta iraniana
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, tem afirmado consistentemente que o país não vai abrir mão de enriquecer urânio — um processo que pode ser utilizado para a produção de energia e pesquisas médicas, mas também para fabricar armas nucleares. Fontes da imprensa americana revelaram que o Irã elaborou uma proposta específica: suspender toda atividade nuclear por até cinco anos e, posteriormente, retomar o enriquecimento de urânio, mas em um nível muito baixo, de apenas 1,5%.
Para produzir uma arma nuclear, esse nível teria que ser de aproximadamente 90%, o que torna a proposta tecnicamente significativa. O Irã também aceitaria a inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica como parte do acordo. Em troca, o país exige o fim das sanções econômicas que têm impactado severamente sua economia. No entanto, o governo iraniano não está disposto a negociar sobre seus mísseis, mantendo essa como uma linha vermelha nas discussões.
Progressos e desafios remanescentes
No fim do dia de negociações, o ministro iraniano fez uma declaração cautelosa: "Chegamos muito perto de um entendimento em alguns pontos. Mas, em outros, ainda temos diferenças significativas que precisam ser resolvidas". Essa afirmação reflete o estado atual das negociações — avanços em áreas específicas, mas obstáculos consideráveis em questões fundamentais como o programa de mísseis e as garantias de não proliferação.
O contexto geopolítico permanece tenso, com a presença militar americana na região servindo como pano de fundo para todas as discussões. A próxima rodada de negociações na Áustria será crucial para determinar se as partes conseguirão superar suas diferenças e chegar a um acordo que possa estabilizar a região e prevenir um conflito aberto.



