Conflito no Oriente Médio atinge novo pico com destruição de navios iranianos
Na noite desta terça-feira (10), as forças dos Estados Unidos anunciaram ter destruído navios iranianos no estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Segundo informações do Pentágono, as embarcações carregavam minas explosivas destinadas a interromper o comércio petrolífero na região, em uma escalada perigosa do conflito que já dura onze dias.
Dia mais intenso de bombardeios causa devastação no Irã
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, havia alertado no início do dia que esta terça-feira seria o período de bombardeios mais intensos desde o início dos ataques conjuntos com Israel, iniciados em 28 de fevereiro. A previsão se confirmou com cenas de destruição em várias cidades iranianas.
"Destruíram a cidade inteira", relatou um passageiro de táxi ao deixar Karaj, localizada a apenas 13 quilômetros da capital Teerã. Na própria Teerã, equipes de resgate trabalharam intensamente para retirar sobreviventes dos escombros, enquanto o embaixador do Irã nas Nações Unidas divulgou que pelo menos 1,3 mil civis morreram desde o início dos ataques.
Chuva negra e ácida gera alerta sanitário e ambiental
Um dos efeitos mais preocupantes dos bombardeios foi o surgimento de uma chuva escura, ácida e tóxica que assustou a população iraniana. A precipitação ocorreu após ataques americanos e israelenses a depósitos de petróleo iranianos, criando uma nuvem negra sobre a região.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou vídeos mostrando funcionários limpando água preta na entrada de seu escritório em Teerã e reforçou as recomendações das autoridades iranianas para que os moradores não saiam de casa. "A chuva negra e ácida representa, de fato, um perigo. Principalmente para o sistema respiratório", explicou o porta-voz da organização.
O Crescente Vermelho iraniano alertou que a chuva tóxica pode causar queimaduras químicas e graves danos pulmonares, enquanto a OMS expressou preocupação com uma "exposição regional mais ampla à poluição", especialmente considerando os ataques do Irã contra infraestruturas petrolíferas em outras nações do Golfo.
Irã amplia ataques regionais enquanto pede condenação na ONU
Enquanto isso, o Irã - que voltou a descartar a retomada de negociações com os Estados Unidos - lançou novos ataques contra países da região. No Bahrein, um drone iraniano matou uma pessoa ao atingir um prédio residencial. A Arábia Saudita afirmou ter destruído dois drones iranianos, e o Kuwait, seis.
Em uma carta enviada na segunda-feira (9), o governo iraniano pediu às Nações Unidas que condenassem os Estados Unidos e Israel por crime ambiental. Nesta terça-feira (10), o chefe da ONU para os Direitos Humanos afirmou que os impactos desses ataques sobre o meio ambiente e sobre os civis "levantam sérias dúvidas em relação ao respeito ao direito internacional humanitário" e cobrou uma análise jurídica cuidadosa.
Expansão do conflito e consequências humanitárias
O Comando Central americano declarou ter destruído 16 navios com minas no Estreito de Ormuz, enquanto a rede CBS reportou indícios de que o Irã estaria espalhando minas para impedir o tráfego naval na região. O presidente americano advertiu que, se confirmado, "as consequências serão algo jamais visto".
Em Israel, sirenes tocaram em Jerusalém, Tel Aviv e Haifa, enquanto forças israelenses continuaram os ataques contra o Irã e também contra o grupo extremista libanês Hezbollah, financiado pelo regime iraniano. O Exército israelense bombardeou subúrbios da capital libanesa, Beirute, com tropas avançando ainda mais no sul do país.
O governo libanês informou que o número de mortos no país subiu para 570, enquanto a ONU relatou que só na segunda-feira (9), mais de 100 mil pessoas abandonaram suas casas. O total de deslocados se aproxima de 700 mil, embora alguns, como Mohamed, tenham se recusado a fugir: "Cada um resiste como pode", afirmou.
O Catar - que abriga a maior base militar americana no Oriente Médio - disse que o pedido de desculpas do Irã não se traduziu em ações concretas e anunciou que quer aumentar a parceria de segurança com os Estados Unidos, indicando uma possível expansão das alianças regionais em meio ao conflito.



