EUA ameaçam 'destruir Irã' em ultimato; país convoca correntes humanas para proteger usinas
Os Estados Unidos emitiram uma ameaça grave ao Irã, afirmando que poderiam "destruir" o país se não houver um cessar-fogo até a noite de terça-feira. O presidente norte-americano, Donald Trump, deu um ultimato de 48 horas no domingo, ameaçando especificamente as usinas de energia e pontes do Irã. Em um pronunciamento na segunda-feira, Trump detalhou o resgate dos pilotos dos EUA cujo caça foi abatido no espaço aéreo iraniano e afirmou que "o país inteiro pode ser eliminado em uma noite".
Irã convoca população para formar correntes humanas
Em resposta às ameaças, o Irã pediu que sua população forme correntes humanas para proteger as usinas de energia do país. Alireza Rahimi, identificado pela televisão estatal iraniana como secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, fez a convocação para "todos os jovens, atletes, artistas, estudantes e universitários e seus professores". Rahimi justificou: "As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional".
Esta não é a primeira vez que iranianos adotam essa estratégia; no passado, já formaram correntes humanas em torno de instalações nucleares durante momentos de tensões elevadas com o Ocidente. O prazo final dado por Trump para que Teerã reabra o Estreito de Ormuz é às 21h no horário de Brasília desta terça-feira.
Clima sombrio em Teerã e declarações do presidente iraniano
Segundo a agência de notícias Associated Press, o clima em Teerã é sombrio. Um jovem em uma cafeteria, falando em condição de anonimato, descreveu a situação como cada vez mais desesperadora, com o país enfrentando a possibilidade de cortes de energia em larga escala. "Sinto que estamos presos entre as lâminas de uma tesoura", disse o homem.
Mais cedo, nesta terça-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que milhões de iranianos estão "prontos para se sacrificar" pelo país. Em uma publicação no X, Pezeshkian declarou: "Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam, até este momento, estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã".
Resistência iraniana e contexto populacional
A fala de Pezeshkian é mais um sinal de que o regime iraniano não cederá ao ultimato do presidente dos EUA. Segundo o presidente, esses 14 milhões representam iranianos que responderam às campanhas da mídia estatal e de mensagens de texto que incentivavam as pessoas a se voluntariarem para lutar. No entanto, é importante notar que a população total do Irã é de mais de 90 milhões de habitantes, indicando que, embora haja um grupo significativo disposto a resistir, a situação permanece complexa e tensa.
As tensões entre os dois países têm se intensificado, com o Irã historicamente usando táticas como correntes humanas para proteger infraestruturas críticas em momentos de crise. A ameaça dos EUA de destruição total e a resposta iraniana de mobilização popular destacam os riscos elevados de um conflito aberto, com implicações globais significativas.



