Equador declara guerra ao narcotráfico com 75 mil soldados e toque de recolher em quatro províncias
Equador envia 75 mil soldados para combater gangues com apoio dos EUA

Equador declara guerra ao narcotráfico com mobilização massiva de tropas

O Equador iniciou neste domingo, 15 de março de 2026, uma operação militar de grande escala contra organizações criminosas de narcotráfico, mobilizando impressionantes 75 mil soldados e policiais em quatro das províncias mais violentas do país. A iniciativa, que terá duração de duas semanas, representa uma resposta drástica à crise de segurança pública que assola a nação andina.

"Estamos em guerra", afirma ministro do Interior

Durante comunicado oficial, o ministro do Interior John Reimberg foi categórico ao descrever a situação: "Estamos em guerra", declarou aos moradores das províncias de El Oro, Guayas, Los Rios e Santo Domingo de los Tsáchilas. "Não corram riscos, não saiam, fiquem em casa", acrescentou, reforçando a gravidade do momento.

Como parte das medidas de segurança, o governo de Quito estabeleceu toque de recolher obrigatório entre 23h e 5h nessas regiões, com exceções apenas para profissionais de saúde, trabalhadores de serviços de emergência e viajantes com passagens aéreas comprovadas. A operação conta com recursos militares avançados, incluindo veículos blindados e helicópteros, além de assessoria direta dos Estados Unidos.

Crise de segurança atinge níveis históricos

A pequena nação andina, vizinha dos dois maiores produtores globais de cocaína (Colômbia e Peru), transformou-se em um dos principais polos exportadores da droga, desencadeando uma crise sem precedentes na segurança pública. Os números são alarmantes: em 2025, o Equador registrou taxa recorde de homicídios, com mais de 8 mil assassinatos relacionados ao narcotráfico.

Atualmente, os portos equatorianos são responsáveis pela saída de aproximadamente 70% da cocaína produzida na Colômbia e no Peru, situação que elevou o país ao centro das atenções no combate ao tráfico internacional de drogas.

Parceria estratégica com os Estados Unidos

O presidente Daniel Noboa, eleito em 2023, tem adotado postura linha-dura contra o narcotráfico, incluindo medidas controversas como delegar o controle das prisões equatorianas ao exército e enfrentar acusações de violação de direitos humanos contra suspeitos de "terrorismo". Sua administração mantém aliança próxima com o presidente americano Donald Trump.

Sob essa parceria, as forças armadas dos Estados Unidos têm fornecido auxílio substancial em três frentes principais:

  • Treinamento especializado para agentes equatorianos
  • Compartilhamento de inteligência estratégica
  • Financiamento direto para operações de combate

Além disso, Quito trabalha em conjunto com o FBI para conter o fluxo de cocaína destinado ao território americano, estabelecendo cooperação em nível operacional e investigativo.

Iniciativa "Escudo das Américas" ganha força

A proximidade entre Noboa e Trump fez com que o Equador se juntasse a outros 16 países na recém-criada aliança "Escudo das Américas", iniciativa liderada pelo presidente americano que busca enfrentar o tráfico de drogas em todo o continente. Em encontro realizado no início de março na Flórida, Trump definiu as gangues criminosas como "um câncer" e incentivou os líderes presentes a utilizarem força militar para erradicá-las.

"Não queremos que se espalhe", afirmou o presidente republicano durante o evento, destacando a necessidade de ação coordenada e decisiva entre as nações envolvidas.

Desafios persistentes apesar das medidas

Apesar das ações impetuosas promovidas pelo governo Noboa, os índices de violência relacionada às drogas no Equador não apresentam redução significativa. Pelo contrário, continuam em ascensão preocupante, como demonstram os números recordes de homicídios registrados no ano passado.

A operação atual representa o esforço mais ambicioso até o momento para reverter esse cenário, combinando presença militar massiva, restrições de circulação noturna e cooperação internacional intensificada. O sucesso dessa iniciativa poderá definir não apenas o futuro da segurança pública equatoriana, mas também influenciar estratégias regionais de combate ao narcotráfico nos próximos anos.