Equador e EUA iniciam operação conjunta de duas semanas contra narcoterrorismo
Equador e EUA em operação conjunta contra narcoterrorismo

Equador e Estados Unidos iniciam operação militar conjunta contra narcoterrorismo

O Equador mobilizou um contingente impressionante de 75 mil militares e policiais para uma operação de larga escala contra gangues e cartéis de drogas, marcando uma nova fase na guerra contra o crime organizado. A investida, que contará com apoio direto dos Estados Unidos, terá duração de duas semanas e representa uma ação coordenada sem precedentes na região.

Operações simultâneas em terra, ar e mar

O ministro do Interior equatoriano, John Reimberg, afirmou no domingo (15) que se tratam de operações "em larga escala" contra a mineração ilegal, o crime organizado e os cartéis de drogas. "De 15 a 31 de março, 75 mil membros das forças de ordem estarão mobilizados executando operações simultâneas e coordenadas com inteligência militar contra essas estruturas criminosas", declarou Reimberg.

O ministro da Defesa equatoriano, Gian Carlo Loffredo, complementou que as operações são "de alta complexidade, com presença coordenada em terra, ar e mar para recuperar territórios tomados pelas máfias". Esta ação representa a primeira operação desde que o Equador integrou a "Coalizão das Américas de Combate aos Cartéis", iniciativa criada pelos Estados Unidos para erradicar o narcotráfico no Hemisfério Ocidental.

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Toque de recolher rígido em quatro províncias

A operação inclui um rigoroso toque de recolher nas seguintes províncias:

  • Guayas, região que engloba a capital Guayaquil
  • El Oro, ao sul do país
  • Los Ríos, ao norte da capital
  • Santo Domingo de los Tsachilas, ao noroeste

Os moradores dessas áreas estarão proibidos de circular entre 23h e 5h locais. Durante este período, apenas poderão sair de casa:

  1. Viajantes com passagem aérea em mãos
  2. Profissionais de saúde
  3. Trabalhadores dos serviços de emergência

A medida tem gerado preocupação entre jornalistas, transportadores, donos de restaurantes, bares e outros estabelecimentos noturnos, além de pessoas que vivem distantes de seus locais de trabalho. Martha Ladines, padeira de 28 anos em Guayaquil, relata: "Disseram para nós que essa hora não será compensada porque há turnos de outros colegas, e vão descontar do salário".

Contexto de violência crescente no Equador

Embora não produza cocaína, o Equador transformou-se no principal ponto de partida da droga que chega aos Estados Unidos. Vizinho dos maiores produtores mundiais, Colômbia e Peru, o país deixou de ser uma ilha de paz para registrar uma das taxas de homicídio mais altas da América Latina: 52 para cada 100 mil habitantes, segundo o Observatório do Crime Organizado.

O governo de Daniel Noboa, fiel aliado dos Estados Unidos, vem implementando há mais de dois anos uma política dura contra os cartéis da cocaína, porém os índices de violência não recuaram significativamente. Reimberg chegou a afirmar no início do mês que "estamos em guerra" ao anunciar os planos para esta operação.

Cooperação internacional e divisão interna

O Equador integra a aliança de 17 países criada durante o governo de Donald Trump para combater o narcotráfico na região, acordo selado no começo do mês em Miami sob o nome de "Escudo das Américas". Noboa alinha-se a países como El Salvador e Argentina, dispostos a respaldar a campanha americana para ampliar influência na América Latina.

Há meses, as forças especiais americanas apoiam os comandos equatorianos em treinamento, inteligência e financiamento. Na quarta-feira, o governo anunciou a inauguração do primeiro escritório do FBI no Equador, e na semana passada, bombardeou com apoio dos Estados Unidos um acampamento dos Comandos da Fronteira, dissidência da guerrilha colombiana das Farc que atua na fronteira entre os dois países.

Esta ofensiva, no entanto, divide os equatorianos. Organismos de direitos humanos denunciam excessos da força pública durante os frequentes estados de exceção decretados por Noboa. Em um referendo recente, os equatorianos votaram "não" ao retorno de bases militares estrangeiras ao país.

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Luis Villacís, vigilante de 58 anos, reflete a ambivalência da população: "O toque de recolher vai ser duro para muitos por causa do trabalho, mas é necessário para tentar controlar a insegurança em que vivemos. Tomara que as autoridades façam uma boa operação tática e não haja tantos mortos".