Emirados Árabes Unidos classificam bloqueio iraniano como terrorismo econômico global
O ministro da Indústria e Desenvolvimento Tecnológico dos Emirados Árabes Unidos, Sultão Ahmed Al-Jaber, acusou formalmente o Irã de praticar "terrorismo econômico" através do fechamento do Estreito de Ormuz. A declaração foi feita durante participação virtual na conferência energética CERAWeek, sediada no Texas, Estados Unidos, nesta segunda-feira, 23 de março de 2026.
Rota vital para economia mundial transformada em arma geopolítica
O Estreito de Ormuz representa uma passagem crucial para o comércio global de petróleo, sendo responsável pelo transporte de aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás consumidos no planeta. A rota foi bloqueada pelo Irã em retaliação direta aos ataques americanos e israelenses contra Teerã, transformando-se em uma poderosa arma geopolítica.
Al-Jaber, que também atua como CEO da Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), empresa estatal de energia emiradense, foi enfático em sua condenação: "Utilizar o Estreito de Ormuz como arma não é um ato de agressão contra uma única nação. É terrorismo econômico contra todas as nações. E nenhum país deveria ser autorizado a manter Ormuz como refém".
Impactos devastadores na economia global e produção energética
O bloqueio já provoca efeitos catastróficos no mercado internacional de energia:
- Aproximadamente 14 milhões de barris de petróleo deixam de circular diariamente pela rota
- O barril de Brent, referência internacional, chegou a ser negociado a US$ 120 devido à obstrução
- A Agência Internacional de Energia (AIE) classificou a situação como "a maior interrupção na oferta de petróleo da história do mercado global"
- A Adnoc, uma das principais produtoras de gás do Oriente Médio, sofreu ataques e reduziu sua produção
Al-Jaber destacou a gravidade da situação com uma metáfora contundente: "Grande parte do oxigênio da economia global passa por uma única garganta e ainda assim, há quem acredite que sufocar essa garganta é uma estratégia aceitável".
Contexto geopolítico complexo e negociações em andamento
Os comentários do ministro emiradense ocorreram poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar manter conversas "produtivas" com autoridades iranianas sobre um possível cessar-fogo. Um acordo entre Washington e Teerã poderia reestabelecer o movimento no Estreito de Ormuz, embora o regime dos aiatolás tenha negado publicamente a existência de tais tratativas.
A situação criou um cenário de extrema tensão regional, com Abu Dhabi endurecendo significativamente seu discurso em relação a Teerã. A Adnoc, alvo de múltiplos ataques desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, enfrenta dificuldades operacionais que já resultaram no descumprimento de prazos de entrega para clientes internacionais.
O bloqueio do Estreito de Ormuz não apenas altera profundamente as dinâmicas do comércio internacional de energia, mas também estabelece um precedente perigoso para a utilização de rotas marítimas estratégicas como instrumentos de pressão geopolítica. A comunidade internacional observa com preocupação enquanto as negociações progridem em meio a acusações recíprocas e crescentes impactos econômicos.



