Capacidade bélica russa se expande com drones de longo alcance que ameaçam continente europeu
Um relatório alarmante do International Institute for Strategic Studies (IISS), divulgado nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, revela que a Rússia desenvolveu drones com capacidade de atingir alvos a até 2 mil quilômetros de distância, colocando praticamente toda a Europa dentro de seu raio de ataque. A análise, parte do Balanço Militar 2026, destaca que, apesar de quatro anos de conflito intenso com a Ucrânia, Moscou não apenas manteve, mas expandiu sua máquina de guerra.
Investimentos recordes em defesa sustentam poderio militar russo
De acordo com o estudo, o orçamento de defesa da Rússia em 2025 atingiu a impressionante cifra de 955 bilhões de reais, equivalente a 7,3% do PIB do país. Esse valor representa um aumento significativo em relação a 2024, quando os gastos militares consumiram 6,7% da economia nacional. Embora o crescimento real tenha sido de apenas 3% no último ano, o montante atual é três vezes maior do que o registrado em 2021, antes da invasão em larga escala à Ucrânia.
O relatório aponta que a Rússia tem reorientado sua economia de forma eficaz para sustentar os esforços bélicos, utilizando continuamente:
- Mísseis de cruzeiro de alta precisão
- Mísseis balísticos com capacidade estratégica
- Drones de ataque que desafiam defesas aéreas
Essas ações têm mantido a pressão sobre as defesas ucranianas e acendido um sinal de alerta em toda a Europa, que se vê cada vez mais vulnerável.
Desafios internos e incertezas geopolíticas preocupam analistas
Apesar do cenário aparentemente positivo para Moscou no curto prazo, o IISS alerta para riscos significativos que podem comprometer a sustentabilidade do esforço de guerra russo. A desaceleração econômica prevista para 2026 pode levar a uma redução nos gastos militares reais, enquanto problemas no recrutamento militar ameaçam a estabilidade social.
Atualmente, a Rússia recruta entre 30 e 35 mil pessoas mensalmente, número que praticamente iguala as baixas anunciadas pelo Ministério da Defesa e fica abaixo das estimativas ocidentais. Essa situação pode forçar medidas de alistamento compulsório, com consequências imprevisíveis para a coesão social do país.
Europa acelera investimentos em defesa diante de ameaças crescentes
O cenário geopolítico atual, marcado pela postura ambígua do governo Trump em relação à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), tem levado as nações europeias a buscar maior autonomia estratégica. Em 2025, o continente destinou 563 bilhões de dólares para orçamentos de defesa, um aumento de 12,6% em relação ao ano anterior.
Os países que mais se destacaram nesse esforço foram:
- Alemanha, que direcionou 18% de seu orçamento federal para gastos militares
- Finlândia, Noruega, Suécia e Dinamarca, que registraram aumentos significativos em investimentos defensivos
Essa corrida armamentista reflete a percepção crescente de que a segurança europeia não pode depender exclusivamente dos Estados Unidos, especialmente diante da capacidade militar expansionista demonstrada pela Rússia.
Perspectivas futuras e implicações para a segurança global
O relatório do IISS conclui que, enquanto a Rússia mantém sua capacidade ofensiva intacta após cinco anos de guerra, a Europa enfrenta o duplo desafio de fortalecer suas defesas e reduzir a dependência estratégica. A combinação de drones de longo alcance, investimentos militares recordes e incertezas políticas cria um cenário de alta tensão que exigirá respostas coordenadas e decisivas por parte das nações europeias.
Os especialistas alertam que, sem uma ação concertada, o continente pode ver sua segurança comprometida diante de ameaças que agora alcançam praticamente todos os seus territórios, redefinindo os paradigmas de defesa que prevaleceram nas últimas décadas.



