Grupos Curdos Iranianos Planejam Cruzar Fronteira em Meio a Ataques EUA-Israel
Curdos Iranianos Planejam Cruzar Fronteira em Conflito

Grupos Curdos Iranianos Preparam Avanço em Meio a Conflito Aéreo

Pelo sexto dia consecutivo, Estados Unidos e Israel mantêm ataques aéreos contra alvos no Irã, intensificando um conflito que já mobiliza cerca de 20 países de forma direta ou indireta. Enquanto isso, grupos curdos iranianos de oposição, exilados no norte do Iraque, revelaram à BBC que possuem planos de cruzar a fronteira para o território iraniano, embora neguem categoricamente que qualquer movimento já tenha ocorrido.

Preparações de Décadas e Coordenação entre Grupos

Hana Yazdanpana, representante do Partido da Liberdade do Curdistão (PAK), afirmou que os preparativos para um possível avanço duram há 47 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979 no Irã. "Nós estamos nos preparando para isso há 47 anos", disse ela, ressaltando que "nem um único peshmerga se moveu" até o momento. A palavra peshmerga, que significa "aqueles que enfrentam a morte", designa os combatentes curdos conhecidos por sua resistência histórica.

Yazdanpana explicou que seis grupos de oposição, recentemente unidos em uma coalizão, coordenam ações políticas e militares. "Ninguém se move sozinho", afirmou, indicando que qualquer avanço dependeria de uma sinalização conjunta. Ela não espera movimentações nesta semana, destacando a necessidade de apoio aéreo dos Estados Unidos. "Não podemos nos mover se o espaço aéreo acima de nós não estiver limpo", argumentou, acrescentando que seria "suicídio" sem a destruição dos depósitos de armas do regime iraniano, dado o equipamento limitado dos curdos, que inclui apenas fuzis Kalashnikov.

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Riscos e Esperanças em um Cenário Complexo

À medida que a especulação sobre um avanço curdo aumenta, o Irã tem respondido com ataques contra suas bases no norte do Iraque. A BBC documentou as consequências de um ataque com míssil balístico que atingiu uma base do PAK, resultando na morte de um combatente. Alguns grupos já esvaziaram suas instalações e deslocaram forças para evitar novos bombardeios.

Mustafa Mauludi, vice-presidente do Partido Democrata do Curdistão do Irã (KDPI), adotou uma postura pragmática. "Os EUA e Israel não começaram essa guerra por nossas esperanças, mas sim por seus próprios interesses", reconheceu. No entanto, ele vê os ataques contra a Guarda Revolucionária Islâmica como benéficos para a causa curda. Aos 67 anos, Mauludi aguarda há décadas a queda do regime, tendo familiares presos ou mortos devido a atividades políticas.

Ele imagina seu retorno ao território iraniano com emoção: "Quando eu chegar ao primeiro vilarejo, vou dizer em voz alta: 'Tenho lutado por vocês, vocês são meu povo, e agora lutarei ainda mais.'" Mauludi espera celebrar o festival de Ano Novo curdo, Nowruz, em 21 de março, em solo iraniano.

Desafios Geopolíticos e Incertezas Futuras

Os curdos, que formam o quarto maior grupo étnico do Oriente Médio, estão dispersos entre Irã, Iraque, Síria e Turquia, enfrentando uma história marcada por perseguições e traições. Um provérbio curdo reflete essa realidade: "não temos amigos além das montanhas". A confiança nos Estados Unidos é questionável, especialmente após o apoio de Donald Trump ao governo sírio contra curdos aliados anteriormente.

Abdullah Mohtadi, secretário-geral do Partido dos Trabalhadores do Curdistão do Irã (Komala), expressou decepção com a posição do Reino Unido, criticando sua hesitação em designar a Guarda Revolucionária como organização terrorista e em permitir o uso de bases britânicas para ataques ao Irã. "Somos o grupo mais organizado politicamente no Irã", afirmou, defendendo que a oportunidade de mudança não seja desperdiçada.

O número exato de combatentes que os curdos poderiam mobilizar é incerto, mas estimativas sugerem vários milhares, incluindo alguns já dentro da região. Um jornalista local curdo observou: "Eles querem fazer parte da mudança no Irã, para garantir que também façam parte do futuro. Apesar das lições da história, continuam esperançosos."

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Posição Delicada do Iraque e Emoções Contraditórias

O Iraque, temendo ser arrastado para o conflito, declarou que não permitirá que grupos "se infiltrem ou cruzem a fronteira iraniana para realizar atos terroristas a partir do território iraquiano". Essa postura coloca os curdos em uma situação delicada, dependente de autorizações e condições de segurança.

Para Yazdanpana, um eventual retorno seria agridoce. "Voltar para a minha terra será muito emocionante", refletiu. "Meus tios e meus avós morreram aqui [no norte do Iraque]. Eu não sei como me sentir, feliz ou triste, porque aqueles que realmente mereciam ver este dia já se foram." Enquanto isso, alguns curdos iranianos, como uma mulher em Sulaymaniyah, expressam determinação: "Se tivermos a menor esperança de voltar a ver nossa terra natal, isso já nos basta. Nós o chamamos [Irã] de regime islâmico do carrasco. Nós os odiamos muito. Eles mataram tantas pessoas."

O cenário permanece volátil, com os curdos balançando entre a esperança de libertação e os riscos de um conflito ampliado, enquanto aguardam sinais claros de apoio internacional e condições táticas para um avanço que pode redefinir o mapa político da região.