Primeira reunião do Conselho da Paz de Trump define ações para Gaza
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conduziu nesta quinta-feira (19) a primeira reunião do Conselho da Paz, iniciativa lançada há um mês durante o Fórum Econômico Mundial em Davos. O encontro reuniu delegações de mais de 20 países e estabeleceu medidas concretas para a estabilização da Faixa de Gaza após o cessar-fogo entre Israel e o grupo Hamas.
Anúncios militares e financeiros
Durante a reunião, Trump anunciou o envio de tropas internacionais para atuar como força de estabilização em Gaza. A missão, que conta com autorização das Nações Unidas, envolverá soldados de diversos países e deve chegar ao território palestino nos próximos meses. Embora autoridades não tenham confirmado números exatos, estima-se que milhares de militares serão deslocados para a região.
Paralelamente, foi estabelecido um fundo de US$ 5 bilhões para iniciar a reconstrução de Gaza. Os recursos foram obtidos através de contribuições voluntárias dos países participantes do conselho. Uma autoridade ouvida pela Reuters descreveu as ofertas como "generosas" e destacou que os Estados Unidos não fizeram solicitações explícitas de doações.
Preocupações e resistências
O Conselho da Paz foi criado com o objetivo específico de auxiliar na estabilização de Gaza, mas existem preocupações de que o órgão possa expandir sua atuação para outros conflitos internacionais, funcionando como uma espécie de "ONU paralela". A principal dificuldade operacional identificada é o desarmamento do grupo terrorista Hamas, que resiste a entregar suas armas.
O Brasil recebeu convite para integrar o conselho, mas ainda não forneceu resposta oficial. Trump estabeleceu a condição de pagamento de US$ 1 bilhão para garantir um assento permanente no grupo. Entre os países que já aderiram estão potências regionais do Oriente Médio como Turquia, Egito, Arábia Saudita e Catar, além de nações como Argentina e Paraguai.
Posturas divergentes
Enquanto alguns países demonstraram entusiasmo com a iniciativa, nações europeias e aliados ocidentais tradicionais dos Estados Unidos adotaram postura mais cautelosa. O Vaticano anunciou formalmente na terça-feira (17) que não participaria do grupo. O cardeal Pietro Parolin, principal autoridade diplomática da Santa Sé, argumentou que esforços para lidar com crises internacionais devem ser gerenciados exclusivamente pelas Nações Unidas.
Questionada sobre a decisão do Vaticano, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a medida como "profundamente lamentável".
Planos de reconstrução
Durante o lançamento do Conselho da Paz em janeiro, Trump já havia apresentado planos ambiciosos para a reconstrução de Gaza. O projeto inclui:
- Divisão do território em áreas residenciais, industriais e turísticas
- Construção de 180 arranha-céus ao longo da faixa litorânea voltados ao turismo
- 100 mil unidades habitacionais em Rafah, no sul da Faixa de Gaza
Jared Kushner, conselheiro e genro de Trump, explicou que "a prioridade número um será a segurança, obviamente" e destacou que estão trabalhando em colaboração com Israel para reduzir tensões, com a fase seguinte focada na desmilitarização do Hamas.
O plano completo foi apresentado durante o Fórum Econômico Mundial em 22 de janeiro de 2026, estabelecendo uma visão de longo prazo para transformação da região. A implementação dessas medidas agora depende da efetiva atuação das tropas internacionais e da liberação dos recursos financeiros anunciados.



