O diretor húngaro László Nemes afirmou que o Ocidente vive uma "orgia de antissemitismo" e criticou artistas e cineastas que defendem boicotes culturais a Israel por causa da guerra em Gaza. A declaração foi dada em entrevista ao jornal britânico The Guardian.
Declarações polêmicas sobre antissemitismo
"Há uma orgia de antissemitismo, uma vergonhosa orgia de antissemitismo tomando o Ocidente", disse o cineasta. Nemes retorna ao circuito de festivais nesta edição de Cannes com o filme "Moulin", que compete pela Palma de Ouro, e também promove "Orphan".
Vencedor do Oscar de filme internacional por "Filho de Saul" (2015), drama sobre Auschwitz, Nemes acredita que produções com temática judaica enfrentam resistência crescente na indústria cultural. Segundo ele, "qualquer coisa ligada aos judeus" passou a ser evitada em certos círculos do cinema internacional.
Críticas ao moralismo de Hollywood
O cineasta também atacou o que chamou de "moralismo" de celebridades e executivos de Hollywood, acusando parte da elite cultural de adotar posições seletivas sobre direitos humanos. Ele falou sobre o papel das redes sociais em alavancar um discurso bipolarizado.
Para Nemes, a mobilização de artistas contra Israel ignora conflitos como a guerra civil na Síria e a crise humanitária no Iêmen. "Onde estavam eles quando Bashar al-Assad matou pelo menos 600 mil pessoas na Síria? Onde estavam essas pessoas com suas belas ideias quando milhões de crianças precisavam de ajuda alimentar da ONU no Iêmen? A lista é interminável. Então, onde estavam essas pessoas tão moralmente exemplares naquela época?", questionou.
Nemes atribuiu essa seletividade a uma suposta obsessão com judeus. Além disso, afirmou que seria melhor "se os atores não se manifestarem tanto, porque não acho que eles sejam muito qualificados para falar sobre qualquer coisa". "Eles deveriam tentar ser atores, da melhor maneira possível, e não se tornarem ativistas. Não é bem o papel deles", disse.



