Capixabas em Dubai vivem momentos de tensão após ataques no Oriente Médio
Brasileiros do Espírito Santo que estão em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, relataram momentos de intensa apreensão após a escalada do conflito no Oriente Médio neste fim de semana. O empresário Gustavo Sacconi, que viajava com a esposa a caminho da China e fez uma parada turística em Dubai, descreveu cenas alarmantes.
"Toda hora é uma explosão, um corre corre. Muitas pessoas minimizam, parece que nada aconteceu, outros se desesperam. A gente não sabe o que faz", contou Gustavo. Com o fechamento do espaço aéreo, o casal ficou retido na cidade sem conseguir seguir viagem.
Fechamento do aeroporto e busca por rotas alternativas
O voo do casal estava previsto para segunda-feira (2), às 10h40. Apesar do check-in confirmado, o aeroporto permanecia fechado. "A gente conseguiu chegar ao hotel, mas as explosões não param. É assustador, a gente está tentando contactar a embaixada e a empresa que tem o jeito de tirar a gente por terra", explicou Gustavo, demonstrando preocupação com as rotas de fuga possíveis.
O conflito teve início quando Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado (28), resultando na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão. Segundo o Crescente Vermelho do Irã, 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques.
Alertas de mísseis e rotina alterada
A jornalista Naiara Arpini, de Guarapari, Espírito Santo, que mora com o marido no bairro Creek Harbour em Dubai, descreveu a madrugada de domingo como o momento de maior tensão. "A gente recebeu um alerta no celular, com um alarme estridente, orientando para procurar abrigo e ficar longe de portas e janelas por risco de ataque com mísseis", relatou.
O alerta, enviado pelo Ministério do Interior dos Emirados Árabes, dizia: "Devido à situação atual, há uma possível ameaça de mísseis. Procure abrigo imediato no edifício seguro mais próximo e mantenha-se longe de janelas, portas e áreas abertas. Aguarde novas instruções."
Naiara explicou que os estrondos ouvidos são, na verdade, interceptações feitas pelo sistema de defesa aérea dos Emirados, que já teria interceptado mais de 165 mísseis e 541 drones. A rotina na cidade foi profundamente alterada:
- Fechamento do aeroporto de Dubai
- Suspensão de aulas presenciais
- Adoção de home office por diversas empresas
- Cancelamento de voos até pelo menos terça-feira
Turistas em navios e hotéis também sentem o impacto
O presidente do movimento Legendários no Espírito Santo, Róscio Scofield, hospedado com a família na região de Palm Jumeirah, confirmou a gravidade da situação. "É muito sério divulgar coisas que não são verdade. Mas é real, a bateria antiaérea é real. Posso afirmar isso", declarou.
Ele descreveu cenas de pânico no hotel: "Muita gente chorando, as mães com filhos no colo. A gente confia no Senhor", afirmou, retratando o clima de apreensão que tomou conta dos hóspedes.
Já o vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, está em um navio ancorado em Dubai com um grupo de 21 capixabas. Eles chegaram na sexta-feira para um cruzeiro pelos Emirados Árabes, mas a partida foi suspensa após o início do conflito.
"Sábado, a cidade de Dubai parecia muito tranquila. À tarde, viemos para o porto para zarpar às 20 horas. Um pouquinho antes, o primeiro comunicado do navio dizendo que não partiria, dada a situação lá do Golfo", contou Bergamin. A orientação para os passageiros é não desembarcar por questões de segurança.
Resposta internacional e continuidade dos ataques
Em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, o Irã disparou mísseis contra território israelense e bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Essa troca de ataques continua desde então, com bombardeios diários sendo presenciados em vários países da região.
Os EUA informaram no domingo que três militares do país foram mortos desde o início da guerra, e o presidente Donald Trump prometeu "vingá-los", afirmando que "os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas".
Enquanto isso, os capixabas em Dubai tentam manter a tranquilidade e transmitir segurança aos familiares no Brasil, aguardando o restabelecimento da normalidade na região.



