Especialista detalha funcionamento das bombas de fragmentação usadas por Irã em ataque
Bombas de fragmentação: como funcionam armas usadas por Irã

Irã utiliza bombas de fragmentação em ataque contra Israel nesta quarta-feira

O regime iraniano voltou a empregar o armamento conhecido como 'bomba de fragmentação' nesta quarta-feira (terça-feira, 17, no horário do Brasil). Conforme informações divulgadas pela televisão estatal do Irã, mísseis carregados com esse tipo específico de explosivo foram direcionados especificamente para a cidade de Tel Aviv, em Israel. A ação é caracterizada como uma retaliação direta ao assassinato de Ali Larijani, uma figura de extrema importância dentro do regime, que ocupava o cargo de chefe do Conselho Supremo de Segurança do país.

Histórico de acusações e uso do armamento

As forças de defesa israelenses têm feito acusações consistentes contra o Irã, alegando o emprego de mísseis de fragmentação em ataques contra seu território desde o início do conflito armado entre as nações. É importante destacar que existe uma convenção internacional estabelecida em 2008 que proíbe expressamente o uso deste tipo de munição. Contudo, nem Israel e nem o Irã são signatários deste acordo, o que significa que não se consideram legalmente obrigados a seguir suas determinações.

Este não é o primeiro episódio do gênero. Em junho de 2025, durante o intenso conflito de doze dias entre Israel e Irã, as autoridades israelenses já haviam denunciado publicamente o uso destas munições por parte de Teerã. Por outro lado, Israel possui seu próprio histórico com o armamento. O país utilizou munições de fragmentação em múltiplas ocasiões contra o Líbano, em guerras que se estenderam desde 1978 até 2006. Mais recentemente, em 2024, durante confrontos com o grupo extremista Hezbollah, autoridades libanesas apresentaram fortes indícios do uso destes mísseis pelas forças israelenses.

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O que são exatamente as munições de fragmentação?

As munições de fragmentação, frequentemente referidas pelo termo em inglês 'cluster munition', representam uma classe de armamentos com um funcionamento particularmente devastador. Elas são projetadas para se abrir durante o trajeto aéreo, liberando uma grande quantidade de submunições ou 'bombinhas' sobre uma área geográfica extensa. Seu principal objetivo tático é cobrir amplos territórios, permitindo atingir simultaneamente alvos diversos como soldados, veículos militares e infraestruturas críticas.

De acordo com registros do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, este tipo de arma foi utilizado pela primeira vez durante os combates da Segunda Guerra Mundial. O mesmo comitê alerta para a existência de um vasto estoque global dessas munições, grande parte herdada do período da Guerra Fria. O uso em zonas onde há presença civil é considerado de altíssimo risco. Isso ocorre porque uma proporção significativa das submunições não explode no impacto, permanecendo ativa no solo como minas terrestres improvisadas. Esses artefatos não detonados podem causar ferimentos graves ou mortes entre a população civil muitos anos após o término oficial dos conflitos.

Por que essas armas são alvo de tantas críticas internacionais?

A combinação de dispersão ampla e a alta taxa de falha na detonação das submunições faz das bombas de fragmentação uma das armas convencionais mais letais para civis, segundo a avaliação de numerosas organizações humanitárias internacionais. Em resposta a esta preocupação, no ano de 2008, mais de cento e dez nações se reuniram em Dublin, na Irlanda, para assinar a Convenção sobre Munições Cluster.

Este tratado internacional tem como objetivo principal proibir de forma abrangente:

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  • O uso de munições de fragmentação em qualquer circunstância.
  • O desenvolvimento, a produção, a aquisição ou a manutenção deste tipo de armamento, seja de maneira direta ou indireta.
  • Qualquer forma de colaboração ou incentivo a ações que violem os termos estabelecidos pelo acordo.

Apesar do esforço diplomático, importantes potências militares permanecem fora do tratado. Estados Unidos, Rússia e Ucrânia não aderiram à convenção e, portanto, não estão legalmente vinculadas às suas restrições. O Brasil também não figura na lista de signatários.

O papel do Brasil no contexto das munições cluster

A posição brasileira sobre o tema ganhou destaque em 2017, quando um relatório detalhado da organização Human Rights Watch denunciou o uso de bombas de fragmentação de fabricação nacional em ataques a escolas no Iêmen. Os ataques haviam ocorrido dois anos antes e foram realizados por uma coalizão militar liderada pela Arábia Saudita.

Na ocasião, Steve Goose, diretor da divisão de armas da Human Rights Watch e presidente da Coalizão Contra Munições Cluster, emitiu uma crítica contundente à postura do governo brasileiro. "O Brasil deve reconhecer que munições cluster são armas proibidas que nunca devem ser fabricadas, enviadas ou usadas devido aos danos que causam a civis", declarou Goose. O especialista também fez um apelo público para que tanto o Brasil quanto a coalizão saudita reconsiderassem suas posições e aderissem ao tratado internacional.