Boko Haram emite ultimato para execução de reféns na Nigéria
O grupo extremista Boko Haram, ativo na Nigéria, lançou uma grave ameaça de executar mais de 400 reféns — incluindo mulheres e crianças — nas próximas 72 horas. A exigência é que o governo nigeriano pague um resgate superior a R$ 18,5 milhões para evitar o massacre. Em um vídeo enviado à mídia local, homens armados e encapuzados afirmam que, caso o pagamento não seja realizado, as vítimas "nunca mais serão vistas".
Detalhes do vídeo e confirmação internacional
A gravação, confirmada pelo jornal britânico The Telegraph, mostra um porta-voz anunciando que o ultimato de três dias é a "primeira e última mensagem". Em outro trecho, um integrante reforça: "Se nossas exigências não forem atendidas, transferiremos essas vítimas para outros locais". E completa: "Ordenamos-lhes, em nome de Alá, que não ultrapassem o tempo estipulado". Até o momento, não há manifestação oficial do governo nigeriano sobre o caso.
Contexto histórico e exigências financeiras
O Boko Haram ganhou notoriedade mundial em 2014 ao sequestrar quase 300 estudantes da Escola Secundária de Chibok, no estado de Borno. No vídeo atual, falando em hauça com legendas em inglês, o porta-voz declara: "Somos Jama'atu Ahlis-Sunna Lidwatu Wal-Jihad [nome oficial do Boko Haram], sob liderança do Imam Abu". Inicialmente, as exigências não eram detalhadas, mas, segundo o jornal local Daily Post, a organização não-governamental BOSYA — que atua em defesa e mediação na região — foi informada durante negociações de que o valor do resgate é de 5 bilhões de nairas, cerca de R$ 18,5 milhões.
Reação da sociedade civil e objetivos do grupo
Em comunicado no Facebook, a BOSYA afirmou: "Esta é uma crise humanitária que exige ação imediata, compaixão e união". O grupo jihadista busca derrubar o Estado nigeriano e impor uma lei islâmica rígida. Há duas décadas, promove ataques e atentados no nordeste do país, com alvos frequentes em escolas. Seu nome popular, Boko Haram, significa aproximadamente "a educação ocidental é proibida".
Impacto e preocupações humanitárias
A situação levanta sérias preocupações sobre a segurança e os direitos humanos na região. A ameaça de distribuir as vítimas por diferentes locais aumenta o risco de desaparecimentos e dificulta possíveis operações de resgate. Especialistas alertam que este pode ser mais um capítulo na longa história de violência do grupo, que já causou milhares de mortes e deslocamentos em massa.



