A Rússia intensificou sua campanha de ataques à infraestrutura crítica da Ucrânia, aproveitando as condições do rigoroso inverno. Na madrugada de segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, uma ofensiva massiva com drones e mísseis atingiu o sistema de energia do país, provocando apagões generalizados em pelo menos cinco regiões e deixando milhares de cidadãos sem eletricidade e aquecimento em temperaturas que chegam a -20°C.
Ofensiva massiva com drones e mísseis
De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, as tropas russas dispararam um total de 145 drones durante a operação. As defesas aéreas ucranianas conseguiram interceptar e derrubar 126 desses veículos aéreos não tripulados. No entanto, uma parte significativa dos ataques conseguiu atingir seus alvos, focando especificamente em instalações estratégicas do setor energético.
O Ministério da Energia da Ucrânia confirmou que as regiões de Sumy, Odesa, Dnipropetrovsk, Kharkiv e Chernihiv foram as mais afetadas, ficando completamente sem fornecimento de energia. Equipes de emergência foram mobilizadas imediatamente para iniciar os reparos, mas as autoridades alertaram que os trabalhos dependem diretamente das condições de segurança nas áreas atingidas, que ainda estão sob ameaça.
Danos críticos e impacto humanitário
Os danos foram severos e espalhados por diferentes partes do país. Na região de Odesa, no sul, instalações de energia e gás foram danificadas, resultando em um ferido, segundo informações das autoridades locais. A DTEK, maior empresa privada de energia da Ucrânia, reportou que uma de suas unidades na área foi "substancialmente danificada", deixando aproximadamente 30.800 residências no escuro.
No norte, a companhia responsável pela rede elétrica em Chernihiv informou que cinco instalações importantes foram atingidas, causando cortes de energia para dezenas de milhares de consumidores. Em Kharkiv, a segunda maior cidade do país, a situação foi particularmente grave. O prefeito Ihor Terekhov relatou que mísseis russos atingiram uma instalação crítica, causando danos significativos à infraestrutura local.
Inverno agrava crise e governo busca soluções
Esta ofensiva faz parte de uma campanha mais ampla e intensificada da Rússia durante os meses de inverno, que tem como objetivo explícito enfraquecer a resistência ucraniana ao destruir usinas, linhas de transmissão e instalações de gás. As temperaturas polares, variando entre -3ºC e -20ºC, não apenas aumentam o sofrimento da população sem aquecimento, mas também dificultam enormemente os trabalhos de reparo, tornando os apagões mais prolongados.
Em resposta à crise, o primeiro-ministro Denys Shmyhal anunciou que o governo vai acelerar projetos para ampliar a capacidade de transmissão de eletricidade do oeste, menos afetado, para o leste do país, onde a demanda e os danos são maiores. A especialista em energia Olena Pavlenko, chefe da consultoria DiXi Group, resumiu a gravidade do momento ao jornal Kyiv Independent: "Comparada a todos os invernos anteriores, esta é a pior situação".
A imagem de civis, como uma mulher caminhando com uma lanterna pelo pátio escuro de um prédio residencial em Kiev, capturada pela AFP, simboliza o cotidiano de milhões de ucranianos que enfrentam mais um inverno sob ataques à sua infraestrutura vital, em uma tentativa clara de usar o frio como uma arma de guerra.