Jornalista libanesa é morta em ataque israelense durante cobertura no sul do país
A jornalista libanesa Amal Khalil, de 43 anos, foi morta nesta quarta-feira (22) em um ataque israelense no sul do Líbano, segundo informações do Ministério da Saúde libanês e de seu empregador, o jornal Al-Akhbar. O ataque também feriu a fotógrafa freelancer Zeinab Faraj, que acompanhava Khalil durante a cobertura dos acontecimentos perto da cidade de al-Tayri.
Negociações em Washington ocorrem sob tensão crescente
Uma nova rodada de negociações entre os embaixadores do Líbano e de Israel está prevista para ocorrer nesta quinta-feira (23) em Washington, com participação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O encontro acontece em um contexto de aumento das hostilidades, apenas um dia após o ataque que vitimou a jornalista.
O presidente libanês, Joseph Aoun, afirmou que a embaixadora libanesa em Washington, Nada Moawad, pedirá a extensão do cessar-fogo e o fim das demolições realizadas por Israel em vilarejos do sul como condições para avançar nas negociações. Israel e Líbano haviam concordado com um cessar-fogo de dez dias em 16 de abril, anunciado pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Detalhes do ataque que vitimou profissionais da imprensa
Segundo relatos do Ministério da Saúde do Líbano e de um alto oficial militar libanês, Khalil e Faraj cobriam os acontecimentos quando um ataque israelense atingiu o veículo à frente delas. As duas correram para uma casa próxima, que também foi alvo de outro ataque israelense.
Socorristas libaneses conseguiram resgatar Faraj, que sofreu um ferimento na cabeça, mas quando retornaram para ajudar Khalil, o Exército israelense lançou uma granada de efeito sonoro, impedindo o acesso ao prédio danificado por aproximadamente quatro horas. Após sete horas de buscas, o corpo sem vida da jornalista foi recuperado dos escombros.
Acusações de crimes de guerra e resposta israelense
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, classificou o ataque a jornalistas e a obstrução dos esforços de resgate como "crimes de guerra", afirmando que o país não poupará esforços para levar esses casos às instâncias internacionais competentes.
Em comunicado, o Exército israelense negou ter impedido as equipes de resgate de chegar à área e afirmou que não tem como alvo jornalistas. Os militares israelenses disseram ter identificado dois veículos que deixaram uma estrutura militar usada pelo Hezbollah e cruzaram a "linha avançada de defesa", representando uma ameaça imediata à segurança de suas tropas.
Contexto histórico e perspectivas futuras
Líbano e Israel permanecem oficialmente em estado de guerra desde a criação de Israel em 1948. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, descreveu como "decisão histórica" a negociação direta com o Líbano após mais de 40 anos, ao mesmo tempo em que chamou o país vizinho de "Estado falido".
Mais de 2,4 mil pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel lançou uma ofensiva em resposta ao ataque do Hezbollah em 2 de março, segundo autoridades libanesas. Israel mantém uma faixa de território na fronteira, afirmando buscar criar uma zona de amortecimento para proteger o norte do país.
A morte de Khalil elevou o número de mortos nesta quarta-feira para cinco pessoas, tornando-se o dia mais letal desde o anúncio do cessar-fogo de 10 dias em 16 de abril. Este é o segundo incidente fatal envolvendo jornalistas no conflito, após um ataque aéreo israelense em março que matou três profissionais da imprensa no sul do Líbano.



