Trump tenta arrastar aliados para conflito no Oriente Médio, mas encontra resistência europeia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfrentou uma significativa resistência de aliados europeus nesta segunda-feira (16), quando pelo menos três países recusaram seu pedido para enviar navios militares ao estratégico Estreito de Ormuz, no Oriente Médio. A Alemanha, a Itália e a Grécia afirmaram categoricamente que não participarão de qualquer plano conjunto proposto pelos Estados Unidos para manter a passagem marítima aberta.
Rejeição europeia ao apelo militar de Trump
O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, foi enfático ao declarar que seu país não contribuirá com forças armadas para a segurança do Estreito de Ormuz. "O que Trump espera de um punhado de fragatas europeias que a poderosa Marinha dos EUA não possa fazer? Esta não é a nossa guerra, nós não a começamos", afirmou Pistorius, destacando a discordância com a abordagem belicista norte-americana.
Por sua vez, o chanceler da Itália, Antonio Tajani, ressaltou que a diplomacia é o caminho adequado para resolver a crise na região, negando qualquer envolvimento italiano em missões navais que possam ser estendidas ao Estreito. Da mesma forma, um porta-voz do governo grego declarou que a Grécia não se envolverá em operações militares na área, reforçando a postura de cautela dos países europeus.
Pressão sobre aliados e a importância estratégica do Estreito
No fim de semana, Trump intensificou a pressão sobre aliados europeus e membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), solicitando apoio para patrulhar o Estreito de Ormuz. Essa via marítima é crucial para o transporte de aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás natural do mundo, sendo alvo de ataques iranianos contra embarcações comerciais. O Irã afirma controlar o canal e tem realizado ações contra navios que transitam pela região.
Trump justificou seu apelo como uma tentativa de conter a alta nos preços do petróleo, que dispararam durante o conflito com o Irã. Ele mencionou negociar com cerca de sete países para formar uma coalizão, mas se recusou a identificá-los. O presidente norte-americano fez pressão especial sobre a China, que recebe cerca de 90% de seu petróleo pelo estreito, enquanto os Estados Unidos têm acesso mínimo à rota.
Posições de outros países e a complexidade do cenário
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou ainda não ter decidido se atenderá ao pedido de Trump, mas mencionou estar em diálogo com aliados para desenvolver um plano de segurança para o Estreito. "Ainda não chegamos a uma decisão", declarou Starmer, indicando a incerteza que permeia as discussões.
A França, por sua vez, não havia respondido oficialmente até a última atualização, mas o presidente Emmanuel Macron já havia sinalizado anteriormente que trabalha com parceiros em uma possível missão internacional, condicionada à redução dos combates. A Coreia do Sul afirmou que "tomou nota" do pedido e que "coordenará de perto e analisará cuidadosamente" a situação com os Estados Unidos.
Contexto do conflito e impactos regionais
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que um grupo de embarcações de "diferentes países" já foi autorizado a passar pelo estreito, mas manteve o canal fechado para os Estados Unidos e seus aliados. Araghchi enfatizou que Teerã "não vê razão para conversar com os norte-americanos" sobre o fim da guerra.
Os impactos do conflito têm sido devastadores na região. No Irã, a Cruz Vermelha relatou mais de 1.300 mortes devido a ataques dos Estados Unidos e de Israel, incluindo mulheres e crianças. Em Israel, 12 pessoas morreram por mísseis iranianos, enquanto pelo menos 13 militares norte-americanos perderam a vida. No Líbano, mais de 820 pessoas morreram, e aproximadamente 800 mil foram deslocadas em apenas 10 dias, evidenciando a gravidade da crise humanitária.
Novos ataques com mísseis e drones foram reportados no Golfo Pérsico, com a Arábia Saudita, o Kuwait e o Bahrein sendo alvos. O Irã também pediu a evacuação de portos nos Emirados Árabes Unidos, ampliando as tensões. Enquanto isso, Trump continua a emitir sinais confusos, alternando entre pressão militar e alegações de que o estreito não é essencial para os Estados Unidos, que têm seu próprio acesso ao petróleo.
