Jogador acreano relata rotina em Dubai sob ataques no Oriente Médio e interceptações de drones
Acreano em Dubai narra rotina durante ataques no Oriente Médio

Jogador acreano narra rotina em Dubai durante ataques no Oriente Médio

O jogador acreano Otavio de Castro, de 23 anos, mora em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, há quase cinco anos e relata como é a rotina no bairro de Mirdif, onde vive com a mãe Raquel Correia e outro brasileiro, também jogador de futebol, diante das interceptações de drones e mísseis pelo governo local. O conflito começou quando Estados Unidos e Israel lançaram bombardeios contra o território iraniano no sábado, 28 de abril, matando o então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, além de autoridades militares do país.

Resposta iraniana e impacto em Dubai

Como resposta, o Irã lançou ataques retaliatórios contra Israel e países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, como Catar, Emirados Árabes e Kuwait. Otavio detalhou ao g1 que o bairro é próximo ao Aeroporto Internacional de Dubai, que começou a retomar voos na segunda-feira, 2 de maio, após ficar fechado por conta dos conflitos entre Estados Unidos, Israel e Irã. Ainda na segunda, o acreano registrou uma explosão próximo ao aeroporto.

A proximidade com o aeroporto torna o bairro ponto crítico de defesa. Segundo ele, um possível drone foi interceptado e explodiu perto de sua casa. "Tem um risco em sair de casa, a maioria das pessoas que sai é para trabalhar ou porque tem que fazer alguma coisa na rua. Algumas pessoas sentem medo, mas tem bastante gente na rua, é um número bem menor, mas ainda tem bastante gente saindo. Então, o que a gente espera e torce é para que dê tudo certo e isso acabe o mais rápido possível", comentou.

Interceptações frequentes e clima de tensão

A explosão de segunda, no entanto, não foi a primeira. "E não teve só isso daí não, teve várias outras interceptações em cima do lugar onde eu moro", relatou. Otavio revelou ainda que há campinho de futebol em frente de casa, onde é comum encontrar crianças brincando, contudo, há dois dias que as crianças não saem para brincar. "Não vi nenhuma criança na rua. O campinho em frente da minha está vazio. O governo emitiu uma nota no primeiro dia para que as pessoas trabalhassem de casa", confirmou.

Segundo o acreano, existe um clima de medo e tensão devido à situação. "Porque quando fazem a interceptação de drone, de míssil, ou seja lá o que for, faz um barulho muito alto de explosão no céu", disse. Ainda de acordo com Otavio, na madrugada de segunda-feira, 2 de maio, o governo enviou um alerta de segurança para a população se proteger contra os mísseis e drones enviados pelo Irã.

População dividida e visita do sheikh

O acreano descreve ainda que parte da população está com medo e outra parte está tranquila, incluindo ele, por considerar o país seguro. Entretanto, não esperava que uma situação como esta fosse acontecer. Ele revelou que o sheikh Mohamed bin Zayed Al Nahyan, presidente dos Emirados Árabes Unidos, fez uma visita ao Dubai Mall para falar com o público e tranquilizar as pessoas.

"E hoje [terça-feira, 3 de maio] teve mais ataque e conseguiram combater. Eles mandaram uma mensagem, primeiro que estava vindo mais mísseis e depois que passou. Acho que uma ou duas horas depois, mandaram outras mensagens para dizer que estava tudo sob controle, e eu espero que acabe logo nessa situação", afirmou.

Vida em Dubai e carreira no futebol

Natural de Cruzeiro do Sul, Otavio foi para Dubai com a oportunidade de ser jogador de futebol. O acreano jogou no Al Hilal United de Dubai e, atualmente, aguarda para realizar uma cirurgia no joelho. No momento, o jogador está sem clube. Enquanto morava no Acre, Otavio jogou nos clubes Atlético Acreano e Náuas. Em Brasília, atuou pelo Taguatinga de Brasília e também no clube Atlético Tricordiano, em Minas Gerais.

"Estou aqui desde 2022. Viajei para alguns países próximos, só pra jogar mesmo. E desde lá eu vim construir minha vida jogando futebol, que é o que mais amo fazer. Só que na temporada atrasada machuquei o joelho, rompi o ligamento e preciso fazer uma cirurgia", compartilhou.

Trabalho e adaptação ao conflito

Para se manter, o acreano trabalha com marketing e venda de produtos on-line. "Criei um canal no YouTube, onde faço vídeos aqui em Dubai mostrando minha rotina, mostrando como que é aqui, passando um pouco sobre como é a cultura dos Emirados Árabes Unidos", detalhou. Com o início dos conflitos, Otavio relata também que é difícil por ser uma situação que não estava tão próxima da sua realidade.

"Vimos guerras acontecendo nos outros países, da Ucrânia e Rússia, Israel, Líbano, e quando veio para cá esse negócio de míssil, no início eu não vou mentir, fiquei com um pouco de medo, mas depois o governo passou confiança e fiquei mais tranquilo", descreveu. Apesar dos riscos, o acreano não cogitou sair de Dubai e retornar ao Brasil. "É um lugar que eu gosto, já moro aqui já faz cinco anos, então, para mim é bem tranquilo, mesmo com essa situação que está acontecendo agora", finalizou.

Contexto da guerra entre EUA, Israel e Irã

Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado, 28 de abril, o que deflagrou uma guerra entre os três países. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas. Os bombardeios mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão da cúpula militar e de governo iraniano.

Ao todo, 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques ao país, afirmou a organização humanitária Crescente Vermelho do Irã em atualização nessa segunda-feira, 2 de maio. Em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, o Irã disparou mísseis contra o território israelense e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Essa troca de ataques continua desde então, com bombardeios diários contra Israel e Irã, sendo presenciados em outros países da região.

Os EUA informaram no domingo que três militares do país foram mortos desde o início da guerra, e o presidente Donald Trump prometeu "vingá-los". "Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização", afirmou o presidente dos EUA no domingo.