Fevereiro bate recorde histórico de chuvas em Juiz de Fora com 752,4 mm
O mês de fevereiro terminou como o mais chuvoso da série histórica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), iniciada em 1961, na cidade de Juiz de Fora, Minas Gerais. O volume extraordinário de precipitações, concentrado principalmente no dia 23, deixou um rastro de destruição na região, com diversos deslizamentos de terra e um trágico saldo de 65 vidas perdidas.
Volume pluviométrico supera três vezes a média esperada para o período
Durante todo o mês, a estação convencional do 5º Distrito de Meteorologia, localizada no campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), registrou impressionantes 752,4 milímetros de chuva. Este valor serve como referência oficial para o órgão meteorológico e representa um fenômeno climático sem precedentes nas últimas quatro décadas.
"Foi extremamente atípico", afirmou a meteorologista Anete Fernandes, do Inmet. "A média para fevereiro é de 170,3 milímetros, então tivemos mais de três vezes o esperado. É muito atípico para Juiz de Fora e configura o mês mais chuvoso de toda a nossa série histórica", explicou a especialista.
Anete Fernandes destacou que o recorde anterior pertencia a janeiro de 1985, com 714 milímetros de precipitação. "Portanto, o que aconteceu agora é realmente extraordinário e não se repetia há quase quarenta anos", completou a meteorologista, enfatizando a magnitude do evento climático.
Cenário comparável à tragédia de Belo Horizonte em 2020
A profissional comparou a situação vivida em Juiz de Fora com o que ocorreu na capital mineira, Belo Horizonte, em janeiro de 2020, quando a cidade também registrou seu mês mais chuvoso da história. No entanto, há uma diferença crucial entre os dois episódios.
"A diferença está no relevo da Zona da Mata, principalmente em Juiz de Fora, que é muito mais acidentado em relação ao de Belo Horizonte", analisou Anete Fernandes. "Essa característica geográfica contribuiu significativamente para os transtornos e a destruição observados na cidade como um todo", acrescentou a meteorologista, referindo-se aos deslizamentos que agravaram a tragédia.
Previsões para março indicam normalidade pluviométrica
Com o início do mês de março, que tradicionalmente ainda registra volumes consideráveis de chuva na região, a expectativa do Inmet é de um período dentro da normalidade ou ligeiramente acima da média histórica. Nada, porém, que se compare ao cenário catastrófico vivido nos últimos dias de fevereiro.
Segundo Anete Fernandes, "considerando a previsão probabilística do Inmet, a expectativa é de chuva geralmente acima da média para março. Portanto, são esperadas pancadas de chuva, e não se descarta a possibilidade de configuração de uma Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS)".
A meteorologista ressalvou, contudo, que "a chance de chuva persistente como a que ocorreu em fevereiro é mínima", trazendo algum alívio para a população que ainda se recupera dos estragos causados pelo temporal histórico. As autoridades continuam monitorando as condições climáticas enquanto os trabalhos de reconstrução seguem em andamento na cidade mineira.
