AFA forma primeira turma de mulheres na infantaria, marco histórico na Força Aérea
AFA forma primeira turma de mulheres na infantaria

AFA forma primeira turma de mulheres na infantaria, marco histórico na Força Aérea

Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a Academia da Força Aérea (AFA) em Pirassununga, interior de São Paulo, registra uma conquista feminina histórica. Pela primeira vez desde sua fundação, a instituição formou uma turma com mulheres no quadro de infantaria, rompendo o último ambiente que ainda era composto exclusivamente por homens.

Rompendo barreiras históricas

As cadetes admitidas no curso de Formação de Oficiais de Infantaria representam um novo capítulo na presença feminina na AFA. Agora, as mulheres estão inseridas na área responsável pelas missões operacionais de liderança em solo, incluindo coordenação de forças, defesa antiaérea e operações especiais na Força Aérea Brasileira.

O processo seletivo não fez distinção entre gêneros, incluindo provas teóricas, testes físicos, psicológicos e exames médicos idênticos para todos os candidatos. Em 2029, essas primeiras líderes estarão completamente formadas e prontas para assumir posições de comando.

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As pioneiras da infantaria

Entre as três mulheres que compõem esta turma histórica está a cadete Sara Teixeira Pinto Paulich, de 21 anos, natural de Itaperuna, no Rio de Janeiro. Em uma turma total de 20 pessoas, ela e suas duas colegas são as únicas representantes femininas.

"Tô muito feliz! Porque a gente introduzindo isso, muitas garotas virão depois. E eu quero muito ver como isso vai caminhar a partir daqui", celebrou Sara, que sonhava em fazer parte das forças aéreas desde o ensino médio.

Após terminar o colegial, ela se mudou para a capital fluminense para iniciar um curso preparatório e, depois de três anos de estudos intensivos, conquistou a aprovação. Sua família acompanha com orgulho essa trajetória, enquanto ela vive em Pirassununga para os estudos na academia.

Desafios físicos e preparação rigorosa

A rotina de preparação das cadetes é intensa e inclui atividades como subir na corda, corridas e outros exercícios que testam a resistência física. Em algumas semanas, Sara Paulich enfrentará um dos maiores desafios: seu primeiro salto solo de uma aeronave.

O capitão de infantaria Gabriel de Araújo Tonetti explica que o salto exige preparo físico excepcional: "Força no braço, habilidade motora, para que a pessoa consiga fazer o salto em segurança. Então esse teste evidencia isso, ele vale nota mas não desliga o cadete, é só para ter essa análise".

Legado feminino na AFA

A conquista atual se soma a uma trajetória de décadas de mulheres abrindo caminhos na Força Aérea. A cadete aviadora Andrielly Beatriz Vargas, no último ano da Formação de Oficiais Aviadores, carrega no pescoço o cachecol que representa seu primeiro voo solo - símbolo das barreiras quebradas por gerações anteriores.

"Representa toda a barreira que mulheres 30 anos atrás quebraram pra que hoje eu tivesse essa oportunidade. É um sentimento de muita gratidão, de reconhecimento, resiliência e coragem que muitas mulheres tiveram", emociona-se Andrielly.

A coronel intendente Elaine Plaza Montenegro, que ingressou como cadete há 30 anos, testemunha essa evolução: "A gente tá quebrando paradigmas, vencendo preconceitos, resistências e contribuindo para a evolução da força aérea, da nossa sociedade".

Evolução da presença feminina

A história das mulheres na AFA começou em 1996, quando foram admitidas pela primeira vez no curso de Formação de Oficiais Intendentes. Sete anos depois, em 2003, a presença feminina expandiu-se para o curso de Formação de Oficiais Aviadores.

Em 2010, outro marco: pela primeira vez uma mulher desempenhou a função de instrutor de voo. Agora, em 2026, com a entrada no curso de infantaria, as mulheres estão presentes nos três cursos oferecidos pela academia.

A cadete Paulich reflete sobre esse legado: "A coronel abriu todo o segmento feminino aqui e a gente agora espera abrir o quadro de infantaria pras próximas que virão". A AFA, embora ainda predominantemente masculina, caminha firmemente para uma transformação que reflete a evolução da sociedade brasileira.

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