STF altera regras para eleição indireta no Rio enquanto Castro avalia renúncia
O cenário político do Rio de Janeiro passou por mudanças significativas nesta quinta-feira (19) após decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado suspendeu trechos da lei estadual que regulamentava a eleição indireta, derrubando a previsão de voto aberto e o prazo de apenas 24 horas para desincompatibilização de candidatos.
Governador em reunião estratégica
Enquanto isso, o governador Cláudio Castro (PL) se reuniu com aliados no Palácio Laranjeiras para discutir uma possível renúncia ao cargo. O encontro, que terminou sem definição concreta, marcou o avanço das articulações para escolha de um nome que disputaria uma eventual eleição indireta para o governo do estado.
Nos bastidores, a tendência é que Castro deixe o cargo nos próximos dias, possivelmente na segunda-feira (23), um dia antes da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que pode cassar seu mandato. A saída do governador abriria caminho para a escolha de um sucessor por meio de eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), no chamado mandato-tampão, válido até o fim de 2026.
Decisão do STF muda completamente o jogo político
A medida do ministro Fux, que ainda precisa ser confirmada pelo plenário do STF, alterou profundamente o cenário da disputa. Ao suspender o voto aberto, o ministro abriu caminho para uma votação secreta entre os deputados, o que reduz consideravelmente o controle das lideranças partidárias sobre o resultado final.
Além disso, ao barrar o prazo de 24 horas para desincompatibilização, a decisão reforça a exigência de afastamento prévio de cargos públicos, o que dificulta significativamente a participação de nomes que atualmente ocupam funções no Executivo estadual ou federal.
Novos nomes entram no radar após mudança nas regras
Com as alterações determinadas pelo STF, as candidaturas que vinham sendo articuladas até então foram praticamente inviabilizadas. Entre os principais nomes afetados estão:
- Douglas Ruas (PL), secretário estadual das Cidades e pré-candidato ao governo
- Nicola Miccione, secretário da Casa Civil e nome de confiança de Castro
- André Ceciliano (PT), secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal
Diante desse novo cenário, o grupo político ligado ao governador passou a buscar alternativas dentro da própria Alerj. Segundo interlocutores, os nomes que ganharam força são de deputados estaduais da base aliada:
- Alexandre Knoploch (PL)
- Fred Pacheco (PMN)
- Guilherme Delaroli (PL), presidente em exercício da Casa e considerado o mais forte até o momento
Oposição também se movimenta no novo cenário
Do outro lado do espectro político, aliados do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), também começaram a discutir possíveis candidaturas. Um dos nomes levantados é o do deputado estadual Chico Machado (Solidariedade), que tem bom trânsito entre parlamentares e ligação política com o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União).
Apesar de próximo a setores do bolsonarismo, o deputado é visto como um nome com capacidade de articulação dentro da Casa legislativa, característica que ganha ainda mais importância no contexto de voto secreto.
Próximos passos decisivos para o estado
A definição sobre a renúncia de Cláudio Castro ainda não foi anunciada oficialmente, mas é considerada decisiva para o desenrolar do cenário político no estado. Caso ele deixe o cargo, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio assumirá interinamente e terá até 48 horas para convocar a eleição indireta, que deverá ocorrer em até 30 dias.
Enquanto isso, aliados e adversários aceleram as articulações nos bastidores para viabilizar candidaturas em um cenário que segue completamente em aberto e sujeito a mudanças conforme avançam as decisões judiciais e as manobras políticas.



