Ricardo Salles oficializa pré-candidatura ao Senado e provoca PL em meio à disputa pela direita paulista
O deputado federal e ex-ministro do Meio Ambiente do governo Jair Bolsonaro, Ricardo Salles, atualmente filiado ao Novo, utilizou suas redes sociais nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, para confirmar oficialmente sua pré-candidatura ao Senado pelo estado de São Paulo. Em sua declaração, Salles não apenas anunciou sua postulação, mas também lançou um desafio direto ao Partido Liberal (PL), afirmando que sua candidatura está mais bem posicionada do que as três opções consideradas pela legenda de Valdemar Costa Neto.
Disputa acirrada pela segunda vaga no Senado
O cenário político da direita em São Paulo, que se encontra unificado em torno da candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, já conta com Guilherme Derrite, do PP, como um dos postulantes ao Senado. No entanto, a segunda cadeira, que foi negociada com o PL, permanece com o nome do candidato em aberto, gerando tensões e incertezas dentro do próprio partido.
Em sua publicação, Ricardo Salles fez referência à mais recente pesquisa do Paraná Pesquisas, divulgada nesta semana, que testou diversos nomes, incluindo o deputado federal Mário Frias (PL-SP), o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo (PL), e o deputado estadual André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). "Paraná Pesquisa deu uma resposta aos que pensam que é a minha pré-candidatura ao Senado que está 'dividindo a direita em SP'. Estou na frente das 3 opções do PL. Se não quiserem dividir, não lancem candidatura porque a minha segue firme", escreveu Salles, demonstrando confiança em sua posição.
Resultados das pesquisas e histórico político
Nos três cenários estimulados pela pesquisa, Ricardo Salles aparece, entre os candidatos de direita, atrás apenas de Guilherme Derrite, com percentuais que variam entre 18,2% e 19,2%. O levantamento foi realizado com 1.600 eleitores em 80 municípios, entre os dias 11 e 14 de abril, apresentando uma margem de erro de 2,5 pontos percentuais e um grau de confiança de 95%.
Vale destacar que o deputado foi filiado ao PL entre 2020 e 2024, deixando a legenda após divergências sobre as eleições municipais em São Paulo. Na ocasião, Salles desejava ser lançado como candidato à Prefeitura, mas o PL optou por apoiar Ricardo Nunes, do MDB, o que gerou o rompimento e sua posterior filiação ao Novo.
Processo de definição do PL e influência dos Bolsonaro
A demora na definição do nome que será lançado pelo PL para a segunda vaga no Senado por São Paulo tem causado irritação entre integrantes da própria legenda. Um dos principais motivos para o atraso é que a escolha será feita pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que se encontra autoexilado nos Estados Unidos e seria o "titular" da cadeira, e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar em Brasília. A situação de ambos tem sido um entrave, embora não um impeditivo, para as conversas e negociações.
Possíveis candidatos têm realizado uma verdadeira peregrinação para cortejar Eduardo Bolsonaro em Dallas, no Texas. O deputado Mário Frias já esteve com ele pelo menos duas vezes apenas neste ano e tinha uma terceira viagem programada para a última semana de abril. No entanto, Frias passou por um procedimento de emergência para desobstrução de vasos sanguíneos no abdômen na terça-feira, 14, e suspendeu o encontro. No domingo, 19, quem embarca para os Estados Unidos para uma reunião com Eduardo é o presidente da Alesp, André do Prado, acompanhado de Valdemar Costa Neto.
Impactos na estratégia eleitoral da direita
A confirmação da candidatura de Ricardo Salles e suas declarações públicas representam um novo capítulo na complexa dinâmica da direita paulista. Com a pesquisa indicando sua vantagem sobre os nomes do PL, Salles busca consolidar sua posição e pressionar a legenda a repensar sua estratégia. A situação evidencia as divisões internas e os desafios de coordenação entre os partidos que compõem o campo conservador, especialmente em um estado crucial como São Paulo.
Enquanto isso, a indefinição do PL e a dependência das decisões de figuras como Eduardo e Jair Bolsonaro continuam a adicionar camadas de incerteza ao processo eleitoral, com potenciais candidatos realizando viagens internacionais em busca de apoio e validação. O desfecho dessa disputa poderá influenciar significativamente a composição do Senado e o futuro político da direita no Brasil.



