Douglas Ruas eleito presidente da Alerj com olhos no Palácio Guanabara
O deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito novamente presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, em uma votação que já enfrenta questionamentos judiciais da oposição. A eleição ocorre três semanas após a primeira votação, anulada pela Justiça no dia 26 de março, marcando um cenário de instabilidade política no estado.
Estratégia clara: abrir caminho para o Executivo
Entre as duas vitórias, Ruas ajustou seu discurso, mas manteve a estratégia central: utilizar a presidência da Alerj como degrau para chegar ao Palácio Guanabara. Com a ausência de governador e vice no Rio, o chefe da Assembleia Legislativa é o primeiro na linha sucessória, posição que Ruas busca consolidar para desbancar o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, que comanda o estado interinamente por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em sua posse, Ruas prometeu inicialmente pacificação e diálogo, mas elevou o tom contra a oposição após a eleição, acusando-a de boicotar o processo e buscar instabilidade institucional. “A população do Rio de Janeiro há de saber quem está trabalhando pela instabilidade institucional do nosso estado”, declarou o deputado, reforçando sua narrativa de busca pela normalidade.
Plano de ação envolve Judiciário e projeção política
A estratégia de Ruas e seus aliados inclui múltiplas frentes:
- Diálogo com o desembargador Ricardo Couto para avaliar sua disposição em apoiar uma eventual reivindicação do cargo de governador.
- Ações judiciais no STF, com a Procuradoria da Alerj estudando se entra com nova ação ou peticiona em processos existentes para definir a eleição-tampão para governador.
- Projeção política para a campanha eleitoral de outubro, onde Ruas é pré-candidato a governador, buscando ganhar tração a partir do exercício do Executivo.
O cenário no Rio é inédito, com os três poderes sendo dirigidos interinamente. A Assembleia Legislativa estava sem presidente desde dezembro, após o afastamento do ex-deputado Rodrigo Bacellar (União) por ordens do STF e Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No Executivo, a saída do ex-governador Cláudio Castro levou à substituição pelo presidente do Tribunal de Justiça, deixando o Judiciário sob a vice-presidente da Corte.
Desafios no Judiciário e ofensiva da oposição
A batalha política já se estendeu aos tribunais, com decisões liminares do Tribunal de Justiça e do STF causando reviravoltas na sucessão do Executivo e na eleição da Alerj. A oposição mantém ofensiva judicial, com pedido no Tribunal de Justiça para anular a eleição desta sexta e planos de acionar o Supremo se necessário.
“Não há dúvidas de que o que se deseja aqui não é a presidência da Alerj e sim a recomposição da linha sucessória”, criticou a deputada Martha Rocha (PDT), da oposição, destacando as motivações por trás da estratégia de Ruas.
Contexto de desconfiança e eleições de outubro
No Supremo, ministros como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Luiz Fux expressaram dúvidas sobre a idoneidade dos deputados fluminenses, em meio a investigações da Polícia Federal sobre infiltração do crime organizado na política local. A prisão do ex-deputado TH Joias, que expôs ligações do Comando Vermelho com a Alerj, intensificou essas preocupações.
Ruas rebateu as críticas, afirmando em coletiva que “as pessoas que não estão aqui no Rio de Janeiro acabam confundindo, entendendo que tem uma relação direta entre tudo o que acontece de ruim e a política”. Seu cálculo político gira em torno do calendário eleitoral, buscando projeção para as urnas em outubro, enquanto a oposição trabalha para frustrar seus planos através de ações judiciais.



