Semana política pós-Carnaval: oposição tenta 'colocar guizo no gato' enquanto Lula viaja
Pós-Carnaval: oposição tenta 'colocar guizo no gato' em semana política

Semana política pós-Carnaval é marcada por tentativas de constrangimento ao governo

Na semana seguinte ao Carnaval, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizava viagem internacional à Coreia do Sul após breve aparição no sambódromo, a oposição brasileira iniciou movimentos que prometem esquentar o clima da disputa eleitoral de 2026. A frase de Deng Xiao Ping, "não importa a cor do gato, desde que cace o rato", parece ter sido adaptada pelos adversários políticos, que tentaram não caçar ratos, mas "colocar o guizo no gato" através de diversas manobras parlamentares e judiciais.

Oposição divide-se em estratégias para atingir o governo

A oposição apresentou-se dividida entre dois grupos principais durante essa semana crucial. De um lado, a extrema-direita bolsonarista concentra esforços na tentativa de salvar a pele do ex-presidente Jair Bolsonaro, buscando garantir indulto para sua condenação de 27 anos pela tentativa de golpe de Estado. Do outro, a direita envergonhada que se abriga sob as siglas do chamado "Centrão" tenta, cada qual a seu modo, usar mecanismos institucionais para constranger a administração lulista.

Uma das principais tentativas foi a de quebrar o sigilo fiscal e financeiro de Luis Cláudio Lula da Silva, conhecido como "Lulinha", filho do presidente. Há anos, o herdeiro presidencial é acusado de ser sócio da Friboi, empresa dos irmãos Batista, alegações que já foram desmentidas como fake news em eleições anteriores. Em 2018, inclusive, uma foto do casarão da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, foi falsamente apresentada como sendo da "sede da fazenda de Lula".

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Manobras no Congresso e no Judiciário

Paralelamente, outra ala da oposição tentou enquadrar o Supremo Tribunal Federal após as confusões envolvendo o ministro José Antônio Dias Toffoli e o Banco Master. Um segmento graduado do "Centrão" trabalha ativamente para evitar que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro testemunhe nas CPIs do Congresso, tanto do INSS quanto do Master, cujas investigações já capturaram aposentados inocentes do setor privado e do funcionalismo público.

Os fatos da semana revelam que munições pesadas estão sendo preparadas para o embate eleitoral. Há movimentação para ressuscitar o inquérito das "rachadinhas" dos salários dos assessores empregados no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, sob gestão do ex-PM Fabrício Queiroz. Com a eleição de Jair Bolsonaro à Presidência em 2018 e de Flávio ao Senado, houve operação para abafar o caso, que subiu para o Superior Tribunal de Justiça após manobras no TJ-RJ que anularam provas.

Controvérsia tributária e efeitos colaterais

Enquanto isso, o governo enfrenta dificuldades na área econômica, vivendo sob o que se compara a um "cobertor curto". A recente tentativa de taxar importações de mais de 1.200 artigos, embora o ministro Fernando Haddad tenha defendido a medida como protetiva à indústria nacional, gerou grita nas redes sociais e em diversos setores. O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior recuou na sexta-feira, excluindo 15 produtos eletrônicos como celulares e laptops da lista de majoração.

Esta não é a primeira vez que medidas tributárias geram efeitos colaterais negativos. Em 2024, as "taxas das blusinhas" que acabaram com isenções para importações acima de US$ 50 aumentaram a arrecadação do Tesouro em R$ 2,1 bilhões, mas reduziram o faturamento dos Correios em R$ 1,2 bilhão, agravando a crise da estatal e forçando o governo a avalizar mais de R$ 8 bilhões em empréstimos.

Contexto internacional: China, EUA e lições não aprendidas

O artigo faz paralelo com o contexto geopolítico global, lembrando que foi Deng Xiao Ping, o arquiteto do milagre econômico chinês, quem negociou com o Brasil ainda nos tempos da Vale estatal a ampliação das importações de minério de ferro de Carajás. Na esteira dos minérios, cresceram as exportações brasileiras de petróleo, soja, milho, carnes, celulose, açúcar e café que tornaram a China o maior comprador do Brasil, responsável por 30% das exportações nacionais.

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Enquanto a China ameaça a hegemonia americana, os Estados Unidos enfrentam suas próprias turbulências. O discurso otimista do presidente Donald Trump sobre o Estado da União contrasta com a realidade dos mercados: os três principais índices registraram quedas na sexta-feira, com o Dow Jones recuando mais de 500 pontos e o Nasdaq fechando fevereiro com queda de 3,4%. O Wall Street Journal alertou que as ações dos bancos americanos caminham para a maior queda desde as turbulências de abril.

Projeto Antifacção perde oportunidade de modernização

No âmbito da segurança pública, o Projeto de Lei Antifacção criminosa aprovado recentemente perdeu uma grande oportunidade de avançar na modernização dos inquéritos policiais. Diferentemente do que ocorre em séries policiais americanas e europeias, onde promotores atuam diretamente nas delegacias para instruir causas e evitar acúmulo de processos, no Brasil prevaleceu o "lobby" das corporações policiais durante a Constituinte.

Apesar de diplomas de direito terem se tornado obrigatórios para delegados - com o problema das faculdades com educação à distância e diplomas falsos -, a eficácia da lei continua relegada a segundo plano. A impunidade permite progressão natural do crime, e não é ampliando penas ou autorizando violência que se garante segurança pública, mas sim com investigação eficiente e punição imediata.

A semana política pós-Carnaval demonstrou que, enquanto o presidente viaja e a oposição tenta colocar guizos em gatos, o país se prepara para uma campanha eleitoral que promete ser intensa, com temas complexos que vão da economia à segurança pública, passando por relações internacionais e justiça.