PL adota estratégia de Garotinho em confronto direto com Eduardo Paes no Rio
A corrida eleitoral pelo governo do Rio de Janeiro começa a definir seus contornos com o anúncio de diversas pré-candidaturas nas últimas semanas. O cenário político fluminense promete uma disputa acirrada, marcada por alianças complexas e estratégias eleitorais bem definidas.
As principais chapas em formação
De um lado, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), confirmou sua tentativa de conquistar o Palácio Guanabara após perder para Wilson Witzel em 2018. Paes anunciou Jane Reis (MDB) como vice em sua chapa, buscando consolidar apoio na Baixada Fluminense, região considerada decisiva nas eleições estaduais.
Do outro lado, o PL confirmou o deputado federal Douglas Ruas como seu pré-candidato, com Rogério Lisboa (PP) na vice. A chapa metropolitana do partido adota uma tática reminiscente das estratégias de Anthony Garotinho, focando em uma campanha que contraste com a imagem do candidato da capital.
Outros pré-candidatos ao governo
Além das duas principais chapas, diversos partidos já apresentaram seus nomes:
- André Marinho (Novo): Humorista e apresentador de 31 anos, filho do empresário Paulo Marinho, ganhou projeção em programas como o Pânico da Jovem Pan.
- André Português (Republicanos): Ex-prefeito de Miguel Pereira por dois mandatos consecutivos, entre 2017 e 2024, busca ampliar sua projeção política do interior para todo o estado.
- Rafael Luz (Missão): Bombeiro e ex-policial militar que ganhou força como influenciador nas redes sociais, com Coronel Busnello como pré-candidato a vice.
- Cyro Garcia (PSTU): Aos 71 anos, o ex-bancário, historiador e professor tenta ser governador pela segunda vez, com extensa trajetória no movimento sindical.
- Juliete Pantoja (UP): Educadora popular de 36 anos, presidente estadual da legenda e militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.
- Luan Monteiro (PCO): Estudante de 29 anos, dirigente partidário com atuação em mobilizações políticas e campanhas sociais.
- William Siri (PSOL): Vereador do Rio desde 2020, reeleito em 2024 com 19,8 mil votos, defende pautas como reestatização da Cedae e valorização do funcionalismo público.
Batalha por apoios partidários
As duas principais chapas travam uma intensa disputa por apoios de outros partidos. A pré-candidatura de Paes pelo PSD já conta com o apoio oficial do PDT e Cidadania, além da aliança com o MDB estadual através da indicação de Jane Reis como vice.
Já a chapa de Douglas Ruas pelo PL recebeu o apoio oficial do partido Avante, com negociações em andamento para ampliar a base de sustentação política. O senador Flávio Bolsonaro foi quem anunciou Ruas como candidato do partido no estado.
Cenário ainda em formação
A disputa pelo governo do Rio está longe de definida. Outros partidos podem apresentar candidatos próprios nas próximas semanas. O psiquiatra e influenciador Ítalo Marsili é ventilado como representante do Novo, enquanto o PSOL deve confirmar William Siri como seu candidato oficial.
O PT mantém o apoio costurado entre o presidente Lula e Eduardo Paes, mas a possibilidade do deputado André Ceciliano concorrer ao mandato-tampão de governador pode alterar os rumos da disputa. Wilson Witzel, o governador que sofreu impeachment, afirma ter apoio do pré-candidato a presidente Aldo Rebelo, mas enfrenta a inelegibilidade e a negação do partido no RJ.
A eleição para o governo do Rio de Janeiro promete ser uma das mais competitivas do país, com múltiplos candidatos, estratégias regionais diferenciadas e uma complexa teia de alianças partidárias que refletem as divisões políticas do estado.



