Dólar recua para R$ 4,97 com otimismo sobre negociações de paz no Irã
O dólar abriu em queda nesta terça-feira (14), operando a R$ 4,9762 por volta das 9h01, uma desvalorização de 0,41% frente ao real. Esse movimento ocorre após a moeda americana ter fechado abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos na sessão anterior, refletindo um humor mais positivo dos investidores diante de novos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.
Esperança de cessar-fogo impulsiona mercados
O principal fator por trás da queda do dólar são as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou ter recebido uma ligação de "pessoas certas do Irã" interessadas em fechar um acordo. Além disso, embaixadores do Líbano e de Israel nos EUA se reúnem hoje em Washington para iniciar negociações de um possível cessar-fogo, um ponto central para um acordo mais amplo envolvendo EUA, Israel e Irã.
Essas notícias reverteram o pessimismo do mercado, que havia sido alimentado pelo fracasso das negociações diretas entre EUA e Irã no Paquistão no fim de semana. As conversas, que duraram 21 horas, terminaram sem acordo após Teerã recusar os termos de Washington para não desenvolver uma arma nuclear.
Petróleo em queda, mas tensões persistem
Com a perspectiva de paz, o preço do petróleo voltou a cair nesta terça. O tipo Brent, referência global, caía 0,32%, negociado a US$ 99,04 por barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate) recuava 1,80%, a US$ 97,30.
No entanto, a situação permanece volátil. Na segunda-feira (13), os EUA anunciaram um bloqueio naval no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo, com o Exército americano afirmando que interceptará qualquer navio ligado ao Irã. O Irã respondeu ameaçando retaliar portos caso a medida seja efetivada, o que já reduziu significativamente o movimento marítimo na região.
Rússia, China e União Europeia criticaram tanto o Irã quanto os EUA pela obstrução da rota, aumentando o risco de uma nova escalada militar.
Impacto no Brasil e projeções econômicas
No Brasil, a preocupação imediata é o impacto nos preços dos combustíveis. O bloqueio do Estreito de Ormuz reacendeu os temores dos analistas sobre possíveis efeitos no preço do petróleo e nos custos de abastecimento no país.
O novo Boletim Focus revelou que a expectativa de inflação para 2026 piorou, subindo para 4,71%, acima do teto da meta do Banco Central, principalmente devido às tensões no Oriente Médio. A projeção para o dólar, no entanto, teve leve queda: R$ 5,37 em 2026 e R$ 5,40 em 2027.
As previsões para a taxa Selic permanecem estáveis, com expectativa de terminar 2026 em 12,50% e 2027 em 10,50%, com um pequeno corte possível já na próxima reunião. O crescimento do PIB segue projetado em 1,85% para 2026 e 1,80% para 2027.
Mercados globais reagem com cautela
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street fecharam em alta na segunda-feira:
- Dow Jones: +0,63%
- S&P 500: +1,03%
- Nasdaq: +1,23%
Na Europa, os mercados recuaram:
- DAX (Alemanha): -0,26%
- CAC 40 (França): -0,29%
- FTSE 100 (Londres): -0,17%
Na Ásia, as bolsas tiveram um dia instável. O índice de Xangai subiu levemente 0,06%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong caiu 0,9%. Japão e Coreia do Sul também registraram quedas, com o Nikkei recuando 0,74% e o Kospi perdendo 0,86%.
Os investidores asiáticos permanecem cautelosos, evitando grandes apostas devido ao risco de conflito e em expectativa de dados econômicos importantes da China, como comércio e PIB.
Panorama do Ibovespa e acumulados
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h nesta terça. Na segunda, os acumulados mostraram:
- Dólar: Semana: -0,29%; Mês: -3,51%; Ano: -8,96%
- Ibovespa: Semana: +0,34%; Mês: +5,62%; Ano: +22,89%
O cenário geopolítico continua a ditar os rumos dos mercados financeiros, com investidores atentos a cada nova declaração sobre o conflito no Oriente Médio e seus desdobramentos para a economia global e brasileira.



