Eleições 2026: PL e Missão lideram crescimento de filiados em janela partidária
O cenário político brasileiro para as eleições de 2026 começa a se definir com a movimentação de filiados durante a janela partidária, encerrada no dia 4 de abril. Dados mensais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que o Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o Missão, partido recém-criado a partir do Movimento Brasil Livre (MBL), foram as legendas que mais ampliaram suas bases no período entre janeiro e março. Enquanto isso, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), maior partido do país, lidera as perdas, seguido pelo Partido Renovação Democrática (PRD), Progressistas (PP) e Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
PL concentra maior crescimento; Missão aparece na sequência
O PL registrou um aumento expressivo de 43.588 filiados, passando de 896.026 para 939.614 integrantes. Esse avanço ocorre em meio à preparação da legenda para as eleições, com o senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência, escolha do ex-presidente, que está preso após condenação por tentativa de golpe de Estado. A última pesquisa Quaest, divulgada em março, mostra Flávio Bolsonaro empatado com Lula em um eventual segundo turno, ambos com 41% das intenções de voto.
Nos últimos meses, o PL intensificou campanhas de filiação, mantendo peças em redes sociais e canais institucionais. O perfil dos filiados indica predominância masculina: 56% são homens e 44% mulheres, com 325 registros sem informação de gênero. Quanto ao tempo de filiação, 58% estão no partido há mais de dez anos; 25% entre um e cinco anos; cerca de 10% entre cinco e dez anos; e aproximadamente 6% há menos de um ano. São Paulo concentra 170.353 filiados (18% do total), seguido por Minas Gerais (104.532) e Santa Catarina (69.622).
O Missão, por sua vez, registrou o segundo maior crescimento, com alta de 7.820 filiados, passando de 9.562 para 17.382 integrantes. Formalizado pelo TSE no ano passado, o partido tem uma base menor em termos absolutos, mas foi a segunda legenda que mais ampliou o número de integrantes. Assim como no PL, há forte predominância masculina: 16.186 homens (93%) e 1.196 mulheres (7%). Praticamente todos os integrantes ingressaram há menos de um ano. São Paulo reúne 5.787 filiados (33% do total), seguido por Minas Gerais (1.481) e Paraná (1.271).
MDB lidera perdas; PT está entre maiores reduções
Entre os partidos que perderam filiados, o MDB registrou a maior queda, com redução de 5.062 integrantes, mas ainda mantém mais de 2 milhões de filiados. Na sequência, aparecem PRD, com menos 3.964 filiados, e PP, que perdeu 3.431. O PT figura como o quarto partido com maior redução, com queda de 3.215 filiados, passando de 1.671.885 para 1.668.670.
Outras siglas também tiveram desfiliações significativas: PDT perdeu 3.156 integrantes; PSDB, 2.875; União Brasil, 2.668; PSB, 1.433; Podemos, 1.323; PV, 1.155; e Cidadania, 1.123. Partidos como Solidariedade, PCdoB, PRTB, Republicanos, Agir, Mobiliza, PSD e Avante também registraram reduções.
Ranking de filiados por partidos mantém líderes históricos
Apesar das variações, o ranking geral de filiados no Brasil segue liderado por partidos com maior número de integrantes. O MDB permanece como a legenda com maior base, com 2.022.593 filiados, dos quais 51% são homens e 44% mulheres. São Paulo concentra 364.388 filiados (18% do total), seguido por Minas Gerais (205.447) e Rio Grande do Sul (157.013).
O PT aparece em segundo lugar, com 1.668.670 filiados, sendo 49% homens e 42% mulheres. São Paulo reúne 314.836 filiados (19% do total), com Minas Gerais (153.180) e Bahia (143.592) na sequência. O presidente Lula é pré-candidato à reeleição pelo partido, e na pesquisa Quaest mais recente, 56% dos entrevistados disseram que não votariam nele, enquanto 55% afirmaram o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.
O PP ocupa a terceira posição, com 1.291.209 filiados. No total, o número de filiados a partidos no país passou de 16.097.237 em janeiro para 16.119.210 em março, um aumento de 21.973 integrantes, refletindo a reorganização das legendas a seis meses do primeiro turno das eleições de 2026.



