Oposição do Distrito Federal avança com novo pedido de impeachment contra governador Ibaneis Rocha
Nesta quarta-feira (11), a oposição ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), protocolou formalmente um novo pedido de impeachment na Câmara Legislativa do DF. A iniciativa, liderada pelos partidos PSOL e Rede Sustentabilidade, representa o quinto movimento do tipo contra o atual mandatário, com os quatro anteriores tendo sido arquivados pela Casa.
Acusações centrais e fundamentos do pedido
O documento apresentado pelos parlamentares de oposição está estruturado em torno de três crimes de responsabilidade específicos: contra a probidade na administração pública, contra as leis orçamentárias e contra a guarda e o emprego legal de dinheiro público. As acusações possuem relação direta com supostas irregularidades nas negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Segundo os partidos proponentes, as investigações revelaram que o escritório do governador teria firmado contrato com a empresa Reag, suspeita de atuar em conjunto com o Banco Master para estruturar fundos utilizados em operações consideradas "atípicas". O texto protocolado afirma que "os interesses econômicos do Governador estariam alinhados com os interesses dos grupos privados beneficiários do rombo do BRB".
Reação do governador e tramitação processual
Em resposta ao g1, o governador Ibaneis Rocha classificou o pedido como "mais um, sem qualquer fundamento". O documento foi assinado pelos deputados distritais Fábio Felix e Max Maciel, ambos do PSOL, pela presidente do partido no DF, Giulia Tadini, e pela porta-voz da Rede Sustentabilidade, Bruna Paola.
O pedido deve ser recebido pelo presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB), aliado político de Ibaneis Rocha. Para que tenha andamento, a presidência da Casa precisa apreciar a solicitação em até 20 dias úteis. Caso não haja resposta dentro desse prazo, os proponentes têm direito a recorrer.
Etapas processuais e possíveis consequências
Os parlamentares solicitam ainda a criação de uma Comissão Especial, com composição proporcional aos partidos, para conduzir investigações e produzir parecer técnico, garantindo ao acusado o direito de manifestação. Se o parecer for aprovado, será criado um projeto de decreto legislativo que será submetido ao Plenário da Câmara.
Após autorização legislativa, os autos serão encaminhados ao Tribunal do Distrito Federal para formação do Tribunal Especial Misto — órgão competente para processar e julgar governadores em crimes de responsabilidade. O pedido final busca a condenação do governador por crimes de responsabilidade, com perda do cargo e inabilitação por cinco anos para o exercício de funções públicas.
Contexto histórico e precedentes
Este movimento representa a quinta tentativa de impeachment contra Ibaneis Rocha desde o início de seu mandato. Todas as tentativas anteriores foram arquivadas pela Câmara Legislativa, mantendo o governador no exercício de suas funções. A persistência da oposição em renovar as acusações demonstra a intensidade do conflito político no Distrito Federal.
O caso ganhou dimensão adicional com revelações sobre o contrato entre o escritório do governador e a empresa Reag, investigada no âmbito do caso Master. As negociações de créditos com fundos da Reag tornaram-se ponto central das acusações, alimentando o debate sobre transparência e ética na administração pública distrital.



