Janela partidária redefine bancadas na Assembleia Legislativa de São Paulo
Janela partidária altera bancadas na Alesp antes das eleições

Janela partidária provoca reconfiguração nas bancadas da Assembleia Legislativa de São Paulo

Os prazos eleitorais que se encerram nesta semana estão provocando uma verdadeira reviravolta na composição das bancadas da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Com o término da janela partidária nesta sexta-feira (3) e o limite para desincompatibilização de cargos neste sábado (4), a paisagem política paulista sofre alterações significativas tanto na distribuição de parlamentares quanto na estrutura de poder dentro da Casa legislativa.

Mudanças nas bancadas fortalecem base governista

As transformações mais evidentes ocorrem nas bancadas partidárias, com partidos da base governista do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) saindo fortalecidos. O PL e os Republicanos conquistam dois deputados cada um, consolidando sua presença na Alesp. Em contraste, legendas com baixa representatividade sofrem perdas significativas: o Cidadania, que contava com três deputados, o PDT e a Rede, cada um com um parlamentar, deixam de ter representação na Casa legislativa paulista.

Um destaque curioso é o partido Missão, recém-criado no cenário político, que passa a contar com um deputado na Assembleia Legislativa de São Paulo, marcando sua estreia no parlamento estadual.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

PSD assume terceira maior bancada após movimentação estratégica

As alterações mais dramáticas ocorrem nos quadros do PSD, liderado por Gilberto Kassab, e do PSDB. Os tucanos sofrem uma redução de 75% em sua bancada, caindo de oito para apenas dois deputados. Essa mudança representa uma queda expressiva na hierarquia partidária da Casa: de quarta maior bancada, o PSDB passa a ser apenas a décima em número de deputados.

O PSD, por sua vez, protagoniza uma movimentação impressionante. Apesar de Kassab ter deixado o governo Tarcísio há uma semana, seu partido realizou uma captação estratégica de deputados que resultou em um salto de quatro para onze parlamentares. Um dos nomes que migraram para o PSD é Barros Munhoz, ex-tucano que ocupa posição na Mesa Diretora da Alesp. Com essa expansão, o partido de Kassab assume a terceira maior bancada da Casa, posição anteriormente ocupada pela federação entre PSDB e Cidadania.

Pré-candidaturas revelam intenções dos parlamentares

As mudanças partidárias têm como pano de fundo as eleições de outubro, com a maioria dos deputados demonstrando intenção de concorrer a novos mandatos. Na Alesp, entre os 94 parlamentares, 82% são pré-candidatos à reeleição para o cargo que ocupam atualmente. Outros 12% planejam disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em Brasília, enquanto 5% ainda não definiram seus planos eleitorais – grupo que inclui o presidente da Casa, André do Prado (PL).

Há ainda um caso específico: o deputado Rafael Silva (PSD) deve se aposentar após 32 anos de atuação na Assembleia Legislativa de São Paulo, encerrando uma longa trajetória parlamentar.

Na Câmara Municipal de São Paulo, cujos cargos não estão em disputa neste ano, 35% dos vereadores manifestaram intenção de se candidatar – sendo 16% para deputado federal, 13% para deputado estadual e 5% ainda indecisos sobre qual cargo disputarão.

Desincompatibilização provoca movimentação no Executivo

Enquanto deputados e vereadores não precisam deixar seus cargos para concorrer em outubro, a situação é diferente para secretários de governos e prefeituras que pretendem se candidatar. Estes têm até sábado (4) para se desincompatibilizar de suas funções executivas.

Na manhã desta quarta-feira (1º), oito secretários deixaram a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) tendo em vista as eleições. Entre eles está o vereador Sidney Cruz, correligionário de Nunes, que ocupava a pasta da Habitação e retorna para a Câmara Municipal para poder se candidatar em outubro.

O retorno de Cruz à Câmara provoca uma interessante dança de cadeiras: o vereador Paulo Frange, que havia assumido uma cadeira no Legislativo como suplente de Cruz, perde seu cargo. No entanto, em uma movimentação compensatória, Frange foi nomeado como novo secretário da Casa Civil da capital paulista, transitando do Legislativo para o Executivo municipal.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

Definições finais dependem de próximos prazos eleitorais

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) esclarece que, apesar da importância dos prazos que se encerram nesta semana, as candidaturas só serão formalmente definidas durante o período das convenções partidárias, que ocorrerá entre 20 de julho e 5 de agosto. O registro definitivo das candidaturas deve ser realizado até 15 de agosto.

Essa calendarização significa que as intenções manifestadas pelos parlamentares ainda podem sofrer alterações nas próximas semanas, mantendo um cenário de relativa fluidez na configuração das candidaturas para as eleições de outubro. A janela partidária que se fecha nesta sexta-feira representa, portanto, um marco importante, mas não definitivo, no processo de preparação para o pleito eleitoral.