Dez governadores e dez prefeitos renunciam para disputar eleições de 2026
Governadores e prefeitos renunciam para eleições de 2026

Um total de dez governadores estaduais e dez prefeitos de capitais renunciaram formalmente aos seus mandatos para disputar outros cargos nas eleições de 2026, conforme determina a legislação eleitoral brasileira. O prazo para a desincompatibilização terminou no sábado, 4 de abril, a exatos seis meses do primeiro turno das eleições, que ocorrerá em outubro. Esta regra é aplicável a ocupantes de cargos no Poder Executivo, com o objetivo claro de evitar o uso indevido da máquina pública em benefício de campanhas eleitorais.

Governadores que deixaram o cargo

Entre os governadores que renunciaram, destacam-se dois nomes que são pré-candidatos à Presidência da República: Romeu Zema, de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado, de Goiás. Os outros oito governadores buscam vagas no Senado Federal, câmara que renovará 54 das 81 cadeiras neste ano. A lista completa inclui:

  • Acre: Gladson Cameli (PP)
  • Distrito Federal: Ibaneis Rocha (MDB)
  • Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB)
  • Goiás: Ronaldo Caiado (PSD)
  • Mato Grosso: Mauro Mendes (União)
  • Minas Gerais: Romeu Zema (Novo)
  • Pará: Helder Barbalho (MDB)
  • Paraíba: João Azevêdo (PSB)
  • Rio de Janeiro: Cláudio Castro (PL)
  • Roraima: Antonio Denarium (PP)

Com a saída dos governadores, os vice-governadores assumem os cargos e, na maioria dos casos, podem ser candidatos a novos mandatos. No Rio de Janeiro, porém, a situação é atípica: como Cláudio Castro estava sem vice, após a nomeação deste para o Tribunal de Contas do Estado, será necessária uma eleição para um mandato-tampão até o fim do ano. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se a escolha será por eleição direta, com participação dos eleitores, ou indireta, realizada pelos deputados estaduais.

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Contexto legal e próximos passos

A renúncia ao cargo não confirma automaticamente a candidatura, mas é uma condição obrigatória para quem ocupa posições no Executivo e deseja concorrer a outros cargos. A oficialização das candidaturas só ocorrerá em agosto, após as convenções partidárias e o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Vale ressaltar que governadores que buscam a reeleição não precisam deixar seus cargos durante a campanha, regra que também se aplica ao presidente Lula (PT).

Prefeitos de capitais com planos eleitorais

Na esfera municipal, dez prefeitos de capitais também renunciaram para disputar eleições. Entre eles, figuram nomes como Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, que tenta pela segunda vez se eleger governador do estado, João Campos, do Recife, e João Henrique Caldas (JHC), de Maceió, que recentemente trocou o PL pelo PSDB. A lista completa é:

  • Eduardo Paes (PSD), ex-prefeito do Rio de Janeiro
  • Lorenzo Pazzolini (Republicanos), ex-prefeito de Vitória
  • João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife
  • Eduardo Braide (PSD), ex-prefeito de São Luís
  • Cícero Lucena (MDB), ex-prefeito de João Pessoa
  • David Almeida (Avante), ex-prefeito de Manaus
  • Dr. Furlan (PSD), ex-prefeito de Macapá
  • Tião Bocalom (PSDB), ex-prefeito de Rio Branco
  • Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista
  • João Henrique Caldas (PSDB), ex-prefeito de Maceió

Casos específicos e reviravoltas

Alguns cenários chamam a atenção, como o de Fátima Bezerra, governadora do Rio Grande do Norte, que planejava concorrer ao Senado, mas teve seus planos frustrados porque o vice, Walter Alves, recusou-se a assumir o governo, preferindo candidatar-se a deputado estadual. Já Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, pretendia ser candidato a presidente, mas perdeu a disputa interna no PSD para Ronaldo Caiado.

No Acre, Gladson Cameli renunciou para buscar uma vaga no Senado, enquanto em Roraima, Antonio Denarium deixou o cargo para a mesma finalidade, mas ambos enfrentam processos judiciais que podem impactar suas candidaturas. Cláudio Castro, do Rio de Janeiro, renunciou um dia antes de ser condenado por abuso de poder, tornando-se inelegível, mas pode recorrer da decisão.

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Impacto político e expectativas

Este movimento massivo de renúncias reflete a dinâmica intensa da política brasileira em ano eleitoral, com mudanças significativas nos governos estaduais e municipais. A desincompatibilização é um mecanismo crucial para garantir isonomia nas eleições, evitando vantagens indevidas. Com as convenções partidárias marcadas para agosto, o cenário político deve se definir ainda mais, trazendo novas surpresas e alianças.

Enquanto isso, os vice-governadores e vice-prefeitos que assumiram terão a tarefa de conduzir a administração pública até o fim dos mandatos, muitos deles já se preparando para as próprias campanhas eleitorais. A eleição de outubro promete ser uma das mais disputadas da história recente, com reflexos diretos na governabilidade dos estados e no equilíbrio de poder nacional.