Gladson Camelí renuncia ao governo do Acre para concorrer ao Senado em 2026
Gladson Camelí renuncia ao governo do Acre para Senado

Governador do Acre deixa cargo para buscar vaga no Senado em 2026

O governador do Acre, Gladson Camelí (PP), anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (2) para concorrer a uma vaga no Senado nas Eleições de 2026. A decisão atende à regra de desincompatibilização eleitoral, que exige que ocupantes de cargos públicos deixem seus postos antes de disputar mandatos eletivos. Com a saída de Camelí, a vice-governadora Mailza Assis (PP) assume imediatamente o governo do Estado, garantindo a continuidade administrativa e a manutenção das políticas públicas em andamento.

Balanço de gestão e agradecimentos

Em entrevista à Rede Amazônica Acre e ao g1, Gladson Camelí fez um balanço de seus mais de sete anos à frente do Executivo acreano, destacando projetos e obras executadas durante sua administração. "Sei que tem muita coisa a fazer ainda e a corrigir, mas sou muito grato a todos servidores do Acre, não falo apenas de secretários, mas também de quem aquela pessoa que serve o café, de quem trabalha em uma empresa terceirizada. Sou muito grato a todos", refletiu o agora ex-governador.

Investimentos na Educação e programas sociais

Camelí pontuou que um dos marcos de seu segundo mandato foi a abertura de concurso público na Educação com 3 mil vagas, que contou com investimento de R$ 220 milhões. "A Educação evoluiu muito. Tentamos dar uma condição aos nossos alunos semelhante aos estudantes de uma escola particular", frisou. Outro destaque citado foi a criação do Programa Auxílio do Bem, que concedeu R$ 150 a famílias acreanas em vulnerabilidade social durante a pandemia de Covid-19 e que foi estendido para ajudar moradores durante enchentes.

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Crise no sistema penitenciário

A gestão de Camelí também foi marcada por crises no sistema penitenciário acreano, com registro de aproximadamente 13 fugas entre 2023 e 2026, uma rebelião que resultou em cinco detentos mortos e um policial penal gravemente ferido, além da troca de três presidentes do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC). Questionado sobre como administrou a crise, o ex-governador afirmou que contratou novos servidores e adquiriu equipamentos para o sistema prisional.

Operação Ptolomeu e investigações

Gladson Camelí segue no centro da Operação Ptolomeu, ação penal que investiga fraudes em licitação, desvio de recursos públicos e formação de organização criminosa. Em maio de 2024, a Corte Especial do STJ aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF), que inclui acusações de corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e fraude à licitação. O julgamento começou em 17 de dezembro no STJ, mas foi suspenso após pedido de vista. Camelí mantém medidas cautelares, incluindo proibição de contato com testemunhas, recolhimento de passaporte e bloqueio de bens.

Polêmica sobre carteira de piloto

Em fevereiro deste ano, a Polícia Federal investigou se Camelí obteve habilitação de piloto privado sem realizar prova prática exigida pela Anac. Segundo apurações, o ex-governador teria pago outra pessoa para concluir o processo de habilitação em seu lugar. Agentes apreenderam entre R$ 200 mil e R$ 300 mil em dinheiro e um simulador de voo em sua residência. Camelí defendeu-se afirmando que participou das aulas e apresentou documentação comprobatória.

Perfil do ex-governador

Natural de Cruzeiro do Sul, Gladson Camelí tem 48 anos, é bacharel em engenharia civil e entrou na vida pública aos 28 anos como deputado federal. Já ocupou o cargo de senador antes de se tornar governador em 2018. Sua trajetória política tem raízes familiares, sendo sobrinho do ex-governador Orleir Cameli. Filiado ao Progressistas desde 2005, Camelí foi membro de diversas comissões no Senado e se destacou como articulador junto ao setor empresarial para debates sobre desenvolvimento regional.

A renúncia de Gladson Camelí marca o início de uma nova fase política no Acre, com a transição para o governo de Mailza Assis enquanto o ex-governador prepara sua campanha para o Senado federal, buscando retornar à câmara alta onde já exerceu mandato anteriormente.

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