Escândalo do Banco Master abala alianças e redefine cenário eleitoral no Distrito Federal
Escândalo do Banco Master redefine cenário eleitoral no DF

Escândalo financeiro abala alianças e redefine cenário eleitoral no Distrito Federal

O escândalo do Banco Master desmantelou completamente o cenário político do Distrito Federal, que até o final do ano passado parecia previsível e consolidado. O governador Ibaneis Rocha, que deixaria o cargo com altas avaliações para disputar uma vaga no Senado com praticamente 100% de chances de eleição, viu sua candidatura ser comprometida pelas investigações do maior golpe financeiro da história brasileira.

Aliança imbatível desmorona com revelações de investigação

Até recentemente, a aliança política no DF era considerada imbatível: Ibaneis Rocha do MDB disputaria o Senado, enquanto a vice-governadora Celina Leão, do PP, buscaria a reeleição com apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, do PL, favoritíssima à outra vaga senatorial. Esta coalizão reuniria três importantes partidos em um mesmo palanque eleitoral, criando uma força política considerada inabalável.

Porém, o escândalo do Banco Master alterou substancialmente esse roteiro. No sábado, 28 de março, o governador renunciou ao cargo, confirmou sua disposição de concorrer ao Congresso, mas sua situação tornou-se desconfortável e, acima de tudo, incerta. Alvejado pelas investigações, Ibaneis foi abandonado pelo PL, não é mais considerado favorito absoluto e está sendo pressionado a alterar seus próprios planos políticos.

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Governadora enfrenta fragilização de alianças cruciais

O panorama também se complicou dramaticamente para a nova governadora Celina Leão. Na segunda-feira, 30 de março, ao tomar posse no cargo, ela pediu imediatamente o afastamento dos executivos do Banco de Brasília (BRB). De acordo com as investigações da Polícia Federal, o BRB comprou carteiras de crédito e títulos podres do Master, gerando um prejuízo astronômico de 12 bilhões de reais ao banco estatal.

As irregularidades no negócio são tão flagrantes que uma simples conferência realizada em alguns cadastros já encontrou, entre outros absurdos, "clientes" com mais de 120 anos de idade que contraíram empréstimos consignados. A nova governadora quer se manter o mais distante possível do escândalo, garantindo que não teve nenhuma ingerência nas negociatas entre o BRB e o Master.

"Deixo claro que não participei da decisão, nem sequer fui consultada sobre o assunto. Esse governo não será obstáculo, será garantidor de todas as respostas", ressaltou Celina Leão em sua posse.

Conexões políticas perigosas emergem das investigações

O problema da governadora no momento está fundamentalmente no campo político. As investigações do escândalo do Master já revelaram que o dono do banco, Daniel Vorcaro, mantinha em sua órbita autoridades de vários escalões, particularmente congressistas. Um dos melhores amigos do banqueiro é o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, partido da própria Celina Leão.

Em diálogos encontrados no celular de Vorcaro, ele define o parlamentar como "um dos grandes amigos de vida". Documentos apreendidos pela polícia revelaram que, certa vez, o banqueiro chegou a reservar um helicóptero para levar o senador a uma corrida de Fórmula 1 em São Paulo. Não se sabe se essa proximidade abriu alguma porta para as tramoias do Master, mas as conexões são evidentes.

Oposição explora fragilidades da situação política

A oposição, naturalmente, vai explorar essas conexões entre o PP de Celina, Ibaneis Rocha e o escândalo do Master. "A Celina estava o tempo todo junto com o Ibaneis, tinha confiança nele. Ela afirmar que não sabia da fraude é conversa pra boi dormir", diz o deputado Chico Vigilante (PT-DF), demonstrando como a narrativa oposicionista já se estrutura em torno do caso.

Por causa disso, a aliança que garantiria à vice-governadora uma reeleição relativamente tranquila já sofreu um primeiro baque significativo. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), um cabo eleitoral importante na capital, anunciou apoio à candidatura ao Senado da deputada Bia Kicis (PL-DF) no lugar antes reservado a Ibaneis Rocha.

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PL ativa modo espera e reavalia alianças eleitorais

O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro, candidato ao Planalto, e de Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado, também ativou o modo espera. Além de suspender o apoio à pré-candidatura de Ibaneis Rocha, a legenda vai aguardar o desenrolar das investigações para saber se mantém a aliança com Celina Leão.

Esta parceria é considerada decisiva para as pretensões da vice-governadora. Pesquisas mostram consistentemente que os brasilienses têm se alinhado majoritariamente ao campo da direita. Em 2022, Ibaneis Rocha, com a bênção do ex-presidente da República, conquistou o Palácio do Buriti no primeiro turno, enquanto Bolsonaro teve 58% dos votos válidos no Distrito Federal. Sem esse eleitorado, Celina Leão corre riscos reais em sua busca pela reeleição.

O cenário político do Distrito Federal, antes previsível e estável, transformou-se em um verdadeiro turbilhão, com alianças sendo reavaliadas, candidaturas sendo questionadas e um eleitorado observando atentamente as investigações que continuam a revelar novas conexões entre o mundo financeiro e o político.