CPMI do INSS retoma trabalhos com depoimentos de ex-secretária de Careca e presidente da Dataprev
CPMI do INSS ouve ex-secretária de Careca e presidente da Dataprev

CPMI do INSS retoma investigações com depoimentos estratégicos nesta segunda-feira

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retoma oficialmente seus trabalhos nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, com uma agenda carregada de depoimentos que prometem esclarecer pontos cruciais das investigações sobre possíveis fraudes no sistema previdenciário brasileiro. A retomada ocorre após uma polêmica envolvendo quebras de sigilos que atingiram familiares de figuras políticas, incluindo o filho do ex-presidente Lula, gerando tensões no cenário político nacional.

Presidente da Dataprev é convocado para esclarecer falhas técnicas

Um dos depoimentos mais aguardados será o de Rodrigo Ortiz D’Avila Assumpção, presidente da Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social (Dataprev). De acordo com o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a CPMI, existem indícios concretos de falhas na infraestrutura da Dataprev que, segundo ele, "podem ter favorecido fraudes no INSS de maneira significativa". A expectativa é que Assumpção detalhe essas vulnerabilidades e explique como a empresa tem atuado para corrigi-las, em meio a alegações de que tais brechas teriam facilitado desvios milionários.

Ex-secretária de Careca do INSS e advogado completam a lista de depoentes

Além do presidente da Dataprev, a comissão vai ouvir Aline Barbara Mota de Sá Cabral, ex-secretária de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido popularmente como "Careca do INSS". Espera-se que ela esclareça a dinâmica operacional das empresas ligadas a Antunes, que estão sob investigação por suposto envolvimento em esquemas de corrupção dentro da previdência. Seu testemunho é considerado chave para entender a extensão das operações que podem ter lesado os cofres públicos.

Outro depoente será o advogado Cecílio Galvão, que será levado coercitivamente ao Senado Federal após faltar a uma reunião marcada para a última quinta-feira. Galvão é esperado para fornecer esclarecimentos sobre supostos contratos milionários firmados com associações que estão sob investigação pelos desvios de recursos destinados a aposentados. A coerção reflete a seriedade com que a CPMI trata o caso, destacando a necessidade de transparência total nas investigações.

Contexto político e expectativas para as investigações

A retomada dos trabalhos da CPMI ocorre em um momento de alta tensão política, com alegações de que a operação tem sido usada como uma "operação-abafa" para proteger interesses de figuras como o presidente Lula e o presidente do Senado, entre outros políticos. No entanto, os depoimentos marcados para esta segunda-feira indicam um avanço nas apurações, com foco em evidências técnicas e contratuais que podem levar a responsabilizações mais concretas.

Especialistas em direito previdenciário afirmam que os depoimentos podem revelar lacunas sistêmicas no INSS e na Dataprev, potencialmente expondo como fraudes foram perpetradas ao longo dos anos. A sociedade aguarda ansiosamente por respostas que possam restaurar a confiança no sistema de previdência social, que afeta milhões de brasileiros.

As sessões da CPMI serão transmitidas ao vivo, permitindo que a população acompanhe de perto os desdobramentos deste inquérito que tem capturado a atenção nacional.