Caminhoneiros mantêm ameaça de greve e aguardam medidas do governo Lula sobre diesel e fretes
Caminhoneiros ameaçam greve e aguardam medidas de Lula

Caminhoneiros mantêm ameaça de greve e aguardam medidas do governo Lula sobre diesel e fretes

A ameaça de uma nova greve de caminhoneiros voltou a preocupar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, motivada pela alta do preço do diesel e pela insatisfação com os valores dos fretes. Embora a paralisação ainda não tenha sido confirmada, lideranças da categoria afirmam que o movimento segue em estado de alerta.

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, declarou que os motoristas aguardam a formalização das medidas anunciadas pelo governo antes de tomar uma decisão definitiva. "Estamos em estado de paralisação. A partir de amanhã (quinta) diremos se atendeu o segmento ou não", afirmou Landim.

Assembleia decisiva marcada para quinta-feira

A decisão final será tomada em uma assembleia nacional marcada para esta quinta-feira, 19 de março de 2026, na cidade de Santos, em São Paulo. A categoria mantém o indicativo de paralisação e aguarda medidas concretas do governo federal.

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Principais motivos da mobilização

Os caminhoneiros apontam dois fatores principais para a mobilização:

  • Alta no preço do diesel: pressionada pela instabilidade no Oriente Médio e seus impactos no mercado internacional de petróleo.
  • Descumprimento da tabela mínima de frete: muitas empresas continuam pagando valores abaixo do piso obrigatório, afetando diretamente a renda dos profissionais.

Medidas propostas pelo governo

O governo federal apresentou um pacote de medidas para tentar conter a paralisação, incluindo:

  1. Reforço na fiscalização da tabela de frete pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
  2. Possibilidade de barrar empresas infratoras de contratar serviços de transporte.
  3. Proposta para que estados zerem o ICMS sobre o diesel.
  4. Compensação de 50% das perdas de arrecadação, estimadas em R$ 1,5 bilhão.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o governo pretende agir com mais rigor contra o descumprimento das regras.

Insatisfação e expectativas

Apesar das negociações, os caminhoneiros ainda consideram as medidas insuficientes, especialmente até que sejam detalhadas oficialmente. "Vamos aguardar ser publicado no Diário Oficial para ver de que jeito será feito esse travamento", ressaltou Landim.

Possíveis impactos de uma paralisação

Caso a greve seja confirmada, o país pode enfrentar efeitos semelhantes aos registrados em 2018:

  • Desabastecimento de combustíveis e produtos em supermercados.
  • Bloqueios em rodovias de todo o território nacional.
  • Aumento generalizado de preços.
  • Desgaste político relevante para o governo em ano pré-eleitoral.

O fantasma da greve de 2018

A ameaça atual remete diretamente à crise de 2018, quando uma greve de dez dias paralisou o país, provocando desabastecimento generalizado e deixando efeitos duradouros na economia. Naquele episódio, a mobilização foi a maior da história da categoria.

O estopim da greve de 2018 foi o aumento acelerado do preço do diesel. Entre julho de 2017 e maio de 2018, o combustível subiu 56,5% nas refinarias, saltando de cerca de R$ 1,50 para R$ 2,34 por litro. Para os caminhoneiros, o impacto foi direto, já que o diesel representa aproximadamente 42% dos custos da atividade.

Os efeitos da paralisação de 2018 foram severos: postos ficaram sem combustível, supermercados registraram prateleiras vazias, aeroportos enfrentaram cancelamentos de voos e indústrias reduziram ou suspenderam atividades. O impacto econômico foi significativo, com a paralisação retirando 1,2 ponto porcentual do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) daquele ano.

A assembleia desta quinta-feira será decisiva para avaliar se as propostas do governo atendem às demandas da categoria e evitar uma nova crise de proporções nacionais.

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