Laboratório de Anatomia Animal da UFU é interditado após denúncias de condições insalubres
O Laboratório de Anatomia Animal (Lanat), vinculado ao curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), foi interditado na manhã de terça-feira, 10 de dezembro, após uma avaliação técnica considerar o espaço "impróprio" para atividades práticas. A decisão foi comunicada em nota interna da coordenação do curso, que destacou a necessidade imediata de fechamento do local.
Ausência de técnico responsável desde 2025
Segundo o documento oficial, o laboratório está sem um técnico-administrativo responsável desde o ano de 2025, quando houve a saída do servidor anterior. A nomeação de um novo profissional foi anunciada apenas no início de 2026, com posse prevista para 26 de fevereiro. O servidor passará por um período de treinamento antes de assumir oficialmente as funções, o que deixou o espaço desassistido por meses.
Denúncias de alunos ganham repercussão nas redes sociais
A situação ganhou visibilidade após estudantes relatarem problemas recorrentes de higiene e manutenção nas redes sociais. Uma aluna afirmou que desde 2022 já era perceptível o descaso com o espaço, citando falta de limpeza e cuidados básicos. "Por se tratar de um laboratório que abriga animais conservados para estudo, é uma total negligência", escreveu em comentário.
Na sexta-feira, 7 de dezembro, uma conta anônima de denúncias utilizada por universitários divulgou imagens do laboratório, localizado no campus Umuarama, dentro do complexo do Hospital Veterinário da UFU. As fotos mostram:
- Animais mortos com larvas
- Presença de moscas e mofo
- Infiltrações e ferrugem
- Tanques com substâncias não identificadas
Na legenda, a denúncia afirmava: "Aqui estão as provas da situação que se encontra o laboratório. Todos os meios administrativos já foram esgotados e não fazem nada".
Posição do diretório acadêmico dos estudantes
O g1 procurou o Diretório Acadêmico Carlos Almeida Wütke, que representa os estudantes de Medicina Veterinária. A presidente Isabele Augusti explicou que o problema se agravou com a ausência de um técnico fixo responsável pelo espaço. Segundo ela, o tema foi discutido em reunião com a direção da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) em outubro de 2025, quando o servidor foi retirado do Lanat.
Desde então, se iniciou o processo de contratação de um substituto. A presidente reforçou que, apesar do episódio, a Faculdade de Medicina Veterinária da UFU não é uma instituição precária. "Muito pelo contrário, possui muitos aspectos positivos. Este é apenas um episódio isolado, resultado da falta de verbas e da ausência de um técnico responsável pelo local", afirmou.
Resposta oficial da universidade
Em nota enviada à reportagem, a UFU informou que não há registros formais de denúncias ou alertas sobre as condições sanitárias do laboratório. A Reitoria solicitou uma avaliação técnica criteriosa para elaborar, junto à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, um plano de melhorias. Também será realizada reunião com a direção da faculdade para definir estratégias emergenciais.
De acordo com a coordenação do curso, a vistoria realizada concluiu que as condições atuais eram 'impróprias' para aulas práticas, o que levou à interdição imediata. A UFU esclareceu que o laboratório permanecerá fechado até a chegada do novo técnico e a regularização dos problemas apontados.
A universidade ainda garantiu que não haverá prejuízo acadêmico, já que os docentes utilizarão estratégias pedagógicas alternativas durante o período de suspensão. A medida visa assegurar a segurança e a qualidade do ensino, enquanto as melhorias necessárias são implementadas no espaço interditado.



