A Escola de Ensino Técnico do Estado do Pará (EETEPA) Francisco Coimbra Lobato, localizada em Santarém, no oeste do Pará, está no centro de uma iniciativa crucial de saúde pública. Como parte integrante da campanha nacional Fevereiro Laranja, dedicada à conscientização sobre a prevenção da gravidez na adolescência, a instituição recebe nesta sexta-feira, dia 6, uma ação especial do Programa Saúde na Escola (PSE).
Objetivos e Serviços Oferecidos
A iniciativa tem como meta principal disseminar informações valiosas sobre medidas preventivas e educativas que possam contribuir significativamente para a redução da incidência da gravidez na adolescência. Este fenômeno não apenas traz sérios riscos à saúde das jovens, mas também está frequentemente associado à evasão escolar, comprometendo o futuro educacional e profissional.
Este ano, a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência adota o tema inspirador: “Informação que protege, escolhas que constroem futuros”. A programação na EETEPA está estruturada em dois turnos, com atividades pela manhã, a partir das 08h, e à tarde, iniciando às 14h. Os serviços disponíveis incluem:
- Palestras educativas sobre sexualidade responsável
- Testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)
- Testes de gravidez
- Imunização com atualização de carteira vacinal
- Atendimento psicológico individualizado
- Atendimento nutricional com orientações personalizadas
- Consulta médica para avaliação geral de saúde
- Consulta de enfermagem para cuidados básicos
Expansão para Outras Escolas e Unidades de Saúde
A ação não se limita à EETEPA. Escolas da rede municipal de Santarém também serão contempladas com atividades da campanha. Por exemplo, no dia 11 de fevereiro, a equipe do PSE estará presente na Escola Municipal Maria de Lourdes, situada no bairro Livramento, a partir das 08h. Já no dia 13, será a vez da Escola Municipal Dom Lino, no bairro Novo Horizonte, oferecendo atendimentos tanto pela manhã quanto à tarde.
Além disso, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Santarém também participarão ativamente da campanha. Elas oferecerão à população adolescente e jovem ações educativas focadas em sexualidade responsável, promoção à saúde, prevenção das ISTs e da gravidez precoce. A campanha Fevereiro Laranja enfatiza a importância do apoio conjunto da família, da escola e do acesso a serviços de saúde de qualidade, reforçando que o diálogo aberto e informado é a melhor forma de prevenção, especialmente no início do ano letivo e no período pós-carnaval.
Impactos e Estatísticas da Gravidez na Adolescência
A gravidez na adolescência configura-se como um grave problema sanitário e social no Brasil. Quando ocorre ainda nessa fase da vida, pode resultar em maior nível de vulnerabilidade ou riscos sociais tanto para as mães quanto para os filhos, especialmente os recém-nascidos, que são particularmente dependentes de cuidados adultos.
Além das transformações físicas e emocionais intensas, a gravidez impõe à adolescente a responsabilidade por outra vida, exigindo maturidade biológica, psicológica e socioeconômica que muitas vezes ainda não foi plenamente desenvolvida. As jovens grávidas estão sujeitas a uma maior ocorrência de complicações, como:
- Abortamento espontâneo
- Diabetes gestacional
- Parto prematuro
- Depressão pós-parto
Além disso, a gravidez na adolescência repercute negativamente na formação educacional, com elevados índices de abandono ou interrupção dos estudos, o que se reflete de forma desfavorável na condição social e econômica futura dessas jovens.
Dados Nacionais e Disparidades Regionais
No Brasil, aproximadamente uma em cada 23 adolescentes entre 15 e 19 anos se torna mãe a cada ano. Em contraste, nos países mais ricos e desenvolvidos, a taxa é significativamente mais baixa, com apenas uma adolescente a cada 90 se tornando mãe anualmente.
O mapa da maternidade na adolescência no país revela uma diferença acentuada entre as regiões. Enquanto a Região Sul apresenta uma taxa de 35 por mil, a da Região Norte mais que dobra esse número, atingindo 77,1 por mil. Essa disparidade se reflete na classificação dos municípios:
- No Norte, 76% das cidades se enquadram na faixa de fecundidade típica de países de baixa renda.
- No Sudeste, essa proporção cai para apenas 5,1%.
- No Sul, é de 9,4%.
- No Nordeste, alcança 30,5%.
- No Centro-Oeste, chega a 32,7%.
Esses dados destacam a urgência de iniciativas como a realizada na EETEPA de Santarém, que buscam não apenas informar, mas também empoderar os jovens a fazerem escolhas conscientes e saudáveis para seus futuros.