Fábio Tatsubô leva Objetivos de Desenvolvimento Sustentável a estudantes da ETEC de Itanhaém
Três letras que podem transformar o mundo através de atitudes concretas: ODS. Mais do que uma simples sigla, representa um movimento global comprometido com um futuro melhor. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecem 169 metas ambiciosas a serem alcançadas até 2030, pactuadas em 2015 por quase 200 países membros da Organização das Nações Unidas. Essas diretrizes abordam desafios urgentes como o aquecimento global, as mudanças climáticas, a desigualdade social e a busca pela igualdade de gênero.
Um mestre em ação prática
Um dos principais especialistas e referências nacionais na aplicação dos ODS é Fábio Tatsubô, coordenador regional na Baixada Santista do Movimento ODS. Com vasta experiência e comprometimento desde 2016, Tatsubô atua como Diretor do Departamento de Política Pública dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável na Ouvidoria da Prefeitura de Santos, onde dissemina e ensina sobre essas ações fundamentais.
"Esta é uma ação que precisa ser realizada em conjunto com a sociedade civil, iniciativa privada e administração pública através de medidas conectadas", explica Tatsubô. "Não pode ser responsabilidade de apenas um setor; é uma meta de todos. A ONU compreende que o programa vai além disso, envolvendo governança e previsibilidade. Quando a Prefeitura implementa e divulga, começamos a criar um ambiente mais propício para parcerias. E todas essas ações têm avançado consistentemente".
Workshop transformador para jovens estudantes
Recentemente, cerca de 120 estudantes do Ensino Médio integrado ao Técnico em Meio Ambiente da ETEC de Itanhaém tiveram a oportunidade única de aprender sobre os ODS em um workshop ministrado por Fábio Tatsubô. Segundo Thiago Pellegrini da Silva, superintendente substituto da ETEC de Itanhaém, o aspecto que mais impressionou os alunos foi a possibilidade de ver a aplicação prática desses objetivos.
"Frequentemente, as metas globais da Agenda 2030 parecem distantes, mas o workshop permitiu que os estudantes saíssem da teoria e compreendessem como esses objetivos se traduzem em ações reais", destaca Silva. "Itanhaém possui uma riqueza natural imensa, com ecossistemas fundamentais e dinâmicas costeiras próprias, além de desafios urbanos significativos. Os ODS dialogam diretamente com nossa realidade ao demonstrar que é possível – e necessário – alinhar o desenvolvimento econômico municipal com a conservação da biodiversidade, a melhoria do saneamento básico e a promoção de uma qualidade de vida superior para a comunidade local".
Da teoria à prática: como funciona a implementação
Durante o workshop, Tatsubô explicou detalhadamente como as ações locais são cruciais para o futuro das cidades. Ele enfatizou que, embora as metas sejam globais, a implementação ocorre no âmbito local. O coletivo de ações individuais impacta diretamente o território, enquanto o conjunto de ações locais influencia o panorama geral.
O especialista destacou a importância do programa Cidades Sustentáveis e da participação das diversas entidades que compõem o Movimento ODS. "Em Santos, a prefeitura estabeleceu o comitê com todas as secretarias, criou o departamento ODS em 2022 e, a partir disso, expandiu para a sociedade civil, formando o Movimento ODS, o Manifesto ESG do Porto, o Manifesto ESG das micro e pequenas empresas, o Corredor Azul do Sebrae e a Blue Economy Santos da Associação de Engenheiros e Arquitetos", relata Tatsubô.
"Diversas ações foram incentivadas. Esses coletivos trabalham em sinergia para melhorar os indicadores e têm se tornado um caso de sucesso nacional, apresentado inclusive em outros estados. Estive na Bahia discutindo o assunto e fornecendo exemplos práticos dessa união de esforços".
Jovens como agentes multiplicadores
A participação entusiástica dos jovens reforçou seu potencial como agentes multiplicadores do conceito, especialmente porque são protagonistas nesse processo transformador. "O ODS começa em nossas casas, assim como o ESG, que é o pacto global que surgiu antes dos ODS para combater o preconceito racial, a misoginia e a homofobia, além de promover ações sustentáveis e de boa governança", esclarece Tatsubô.
"É fundamental que eles compreendam na prática que não se trata apenas de associar suas ações aos ODS 1, 2, 3... Isso é se localizar. É entender sobre os ODS, medir e interpretar os indicadores, ampliar as iniciativas, estabelecer metas com prazos definidos. Nessa atividade com os alunos, eles puderam perceber que vai além de simplesmente conectar seus projetos aos ODS; é medir concretamente o impacto que podem gerar, ter metas claras e objetivas e experimentar na prática".
Resultados concretos e expansão do aprendizado
Para os estudantes, o conhecimento adquirido agora pode transcender os limites da sala de aula. "A ETEC sempre teve uma forte orientação ambiental, então o workshop vem fortalecer uma cultura que já vivenciamos na prática", afirma o superintendente Thiago. "Desenvolvemos diversos projetos ligados à coleta seletiva dentro da escola e mantemos uma parceria crucial com uma cooperativa de reciclagem local. O que eles levam consigo é a percepção de que as ações que já realizam – seja na gestão de resíduos da escola ou no apoio aos catadores – não são isoladas; estão diretamente conectadas às metas globais de sustentabilidade e os transformam em agentes de mudança em nossa região".
Um propósito que inspira
Mais do que um movimento, os ODS representam um propósito que deixa Fábio Tatsubô profundamente satisfeito. "Ver a quantidade de alunos e todos engajados, desejando fazer a diferença, os projetos que me apresentaram, as conversas após a apresentação – tudo já aponta para soluções que a sociedade está criando em conjunto com o poder público", comemora.
"Fico feliz ao observar que esses jovens desenvolvem projetos que impactam positivamente o território onde estão inseridos. Precisamos dar ampla visibilidade aos resultados desses projetos e ao trabalho dos professores em sala de aula. A ETEC tem realizado um trabalho extraordinário; visitei a unidade de Santos, a de Mongaguá e agora a de Itanhaém. A união de esforços, com todos colaborando no mesmo momento, pode gerar impacto ainda maior, criar conexões valiosas e permitir que pessoas, alunos e professores se conheçam, se conectem e ampliem o trabalho em parceria".



