Turismo global em alta: destinos adotam medidas radicais para controlar multidões
Com o turismo global a caminho de atingir impressionantes 1,8 bilhão de deslocamentos ao ano, diversos destinos turísticos ao redor do mundo estão testando novas e controversas medidas para controlar as multidões. O fenômeno do turismo excessivo tem gerado reclamações crescentes de moradores locais, levando autoridades a implementar ações que vão desde cancelamentos de festivais até o uso de inteligência artificial para gerenciar aglomerações.
Japão: cancelamentos e barreiras físicas
No Japão, a cidade de Fujiyoshida cancelou o festival anual das cerejeiras em flor, que costumava atrair 200 mil visitantes para uma população de apenas 44 mil moradores. O motivo foram as denúncias de mau comportamento dos turistas, incluindo lixo, invasões de jardins e até residências particulares. Esta não é a primeira medida drástica do país: em 2024, Fujikawaguchiko construiu uma barreira para bloquear uma vista popular do monte Fuji, enquanto Kyoto proibiu fotografias de gueixas e restringiu o acesso a áreas históricas.
Kyoto também lançou ferramentas digitais como a Previsão de Congestionamentos, que indica os melhores horários para visitas, e o aplicativo Smart Navi, com atualizações em tempo real sobre aglomerações. Kousaku Ono, gerente da Divisão de Promoção do Turismo Sustentável de Kyoto, afirma: "Não existe uma bala de prata para o turismo excessivo, mas pretendemos continuar implementando medidas para proteger o dia a dia dos cidadãos."
Estados Unidos: sobretaxas para visitantes internacionais
Os Estados Unidos adotaram uma abordagem financeira, criando em 2026 uma sobretaxa de US$ 100 por pessoa para visitantes internacionais em 11 parques nacionais populares, como Yellowstone e Grand Canyon. O passaporte anual "America the Beautiful" agora custa US$ 250 para não residentes, três vezes mais que para cidadãos americanos. No entanto, especialistas questionam a eficácia: Kevin Jackson, da EXP Journeys, observa que "é improvável que o aumento dos ingressos, sozinho, reduza significativamente o turismo excessivo".
Dulani Porter, da SPARK, destaca que o problema é sistêmico, envolvendo padrões domésticos de viagens e capacidade limitada de infraestrutura. Ela alerta que medidas de preços podem prejudicar economias locais, já que visitantes internacionais contribuem desproporcionalmente para hotéis e restaurantes.
Espanha: inteligência artificial e diversificação
Na ilha de Maiorca, palco de protestos contra o turismo, uma plataforma alimentada por IA será integrada ao website oficial para orientar visitantes sobre horários ideais e sugerir alternativas menos congestionadas, como oficinas de artesanato ou vinhedos. Guillem Ginard, ministro do Turismo local, explica: "Com a Plataforma Inteligente de Destinos, integramos mobilidade e recursos para antecipar fluxos e melhorar a experiência." A campanha Ca Nostra também incentiva turistas a tratar a ilha como sua casa, protegendo cenários e tradições.
Jamaica e Dinamarca: incentivos e bom comportamento
A Jamaica está usando incentivos criativos, como seguro contra chuva em pacotes turísticos durante a baixa temporada, para atrair visitantes fora dos picos. Já Copenhague, na Dinamarca, lançou o programa CopenPay, que permite aos turistas "pagar" por experiências com ações sustentáveis, como coletar lixo em caiaques ou usar bicicletas. Rikke Holm Petersen, da Wonderful Copenhagen, relata que "sete a cada dez participantes levaram novos hábitos para casa", como andar mais de bicicleta.
Estas medidas refletem um esforço global para equilibrar os benefícios econômicos do turismo com a qualidade de vida das comunidades locais, enquanto o setor enfrenta desafios sem precedentes com o crescimento contínuo das viagens internacionais.
